Irã diz que atacou porta-aviões; EUA, que afundaram navio rival

Por IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã se espalhou pelos mares do Oriente Médio. A teocracia diz ter atacado um porta-aviões americano e atingiu ao menos dois petroleiros no estratégico estreito de Hormuz. Já os americanos anunciaram ter afundado um navio rival.

A ação mais dramática, mas que ainda carece de detalhamento e confirmação pelo lado dos EUA, foi a ação anunciada contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que participa da guerra operando no mar Arábico, perto de Omã.

Segundo a unidade militar, quatro mísseis foram lançados contra o navio de propulsão nuclear, 1 dos 11 da frota americana, mas não há relatos sobre o resultado do ataque. As forças dos EUA ainda não comentaram a afirmação.

Durante os combates com os rebeldes pró-Irã do Iêmen, porta-aviões americanos tiveram de ser defendidos por suas escoltas e caças diversas vezes contra drones e mísseis, mas nunca houve um impacto.

Além do Lincoln, 1 dos 18 navios mobilizados por Donald Trump para a ação, a guerra é apoiada pelo grupo de porta-aviões do USS Gerald R. Ford, que está na costa mediterrânea de Israel.

Pouco antes, dois incidentes mostraram que a guerra está ativa no estreito de Hormuz. Primeiro, um petroleiro de bandeira de Palau foi atingido por um projetil perto da costa de Omã, deixando quatro feridos e forçando a evacuação da embarcação.

Depois, o site de rastreamento marítimo Marine Traffic anunciou que outro petroleiro, o MKD Vyon, também foi atingido na região. O navio tem bandeira das ilhas Marshall, país que tem uma associação especial com os EUA.

Não longe dali, no golfo de Omã, o Centcom (Comando Central das Forças Armadas dos EUA, no acrônimo em inglês) anunciou que havia afundado um navio de guerra iraniano, a corveta Jamaran. Teerã também não comentou o incidente, que se for confirmado será o primeiro afundamento de uma belonave na guerra.

Comprovando o ambiente de risco elevado, o Marine Traffic apontou que cerca de 150 petroleiros e navios de transporte de gás natural liquefeito baixaram suas âncoras em águas territoriais de países do golfo Pérsico antes de seguir viagem pelo estreito, que tem apenas 40 km de largura no seu ponto mais apertado.

Outras 100 embarcações estão na costa de Omã, do lado da saída do estreito para o oceano Índico. No sábado, a missão marítima da União Europeia na região alertou que navios estavam sendo ameaçados por rádio pela Guarda Revolucionária do Irã, país com 16 instalações militares na região.

Ainda não houve uma ordem formal de fechamento do estreito, mas tudo indica que as empresas transportadoras não estão querendo pagar para ver. O impacto da situação depende de sua extensão e duração, mas é inevitável uma alta dos preços futuros do petróleo, com efeitos inflacionários potenciais no mundo todo.