Israel diz ter matado chefe de inteligência do Hezbollah; Líbano veta grupo

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As Forças de Defesa de Israel anunciaram nesta segunda-feira (2) a morte de Hussein Meklad, chefe do quartel-general de inteligência do Hezbollah, em um ataque aéreo.

Meklad foi atingido por um ataque de mísseis na manhã desta segunda-feira (2) (noite de segunda-feira em Israel). Não foram divulgadas informações sobre o contexto do bombardeio, nem o local onde ocorreu.

Órgão de Defesa israelense disse que o Hezbollah se tornou alvo ao optar por colaborar com o regime iraniano. Em comunicado, declarou que o grupo xiita libanês "enfrentará as consequências" do ataque do Irã contra Israel. O Hezbollah é apoiado pelo Irã e recebia ajuda militar e financeira bilionária do país.

Meklad era responsável por coletar informações estratégicas de Tel Aviv. "Ele também cooperou estreitamente com altos comandantes do Hezbollah, que planejaram e executaram ataques terroristas contra o Estado de Israel e seus cidadãos", afirmaram as forças israelenses.

"As Forças de Defesa de Israel continuarão a operar contra a organização terrorista Hezbollah e a frustrar qualquer ameaça ao Estado de Israel", afirmaram as Forças de Defesa de Israel, em nota.

LÍBANO DIZ TER PROIBIDO ATIVIDADES MILITARES DO HEZBOLLAH

Atividades militares e de segurança do Hezbollah estão proibidas. A determinação é do primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam. Ele emitiu uma nota sobre o tema horas depois de Israel retaliar ofensivas do grupo terrorista com ataques aéreos no sul de Beirute, capital libanesa.

"Anunciamos a proibição das atividades militares do Hezbollah e restringimos seu papel à esfera política. (...) Declaramos nossa rejeição a quaisquer operações militares ou de segurança lançadas a partir do território libanês fora da estrutura das instituições legítimas", disse Nawaf Salam, em comunicado.

Salam disse ainda que atividades militares do Hezbollah são "ilegais". "Declaramos nosso compromisso com a cessação das hostilidades e a retomada das negociações", acrescentou.

ATAQUE DO HEZBOLLAH A ISRAEL E RETALIAÇÃO

Grupo extremista libanês confirmou na noite deste domingo (1º) (madrugada desta segunda-feira no horário local) a autoria de ataques contra Israel. Em resposta, autoridades israelenses disseram ter lançado bombardeios contra o Hezbollah "em todo o Líbano".

Hezbollah afirmou ter atacado base israelense em Haifacom mísseis e drones. Segundo o grupo, a ação foi em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em um ataque conjunto dos EUA com Israel, além de ser em "defesa do Líbano e de seu povo", informou a Al Jaazera.

Pouco depois, as Forças de Defesa de Israel anunciaram o lançamento de "vários projéteis" contra o território do Líbano. Alvos dos ataques israelenses foram estruturas do Hezbollah, segundo o órgão. Contudo, jornalistas da AFP relataram ter ouvido fortes explosões em Beirute.

Ataque do Hezbollah contra Israel é o primeiro desde que o cessar-fogo entre Israel e Líbano, mediado pelos EUA, entrou em vigor, em novembro de 2024. O acordo pôs fim a mais de um ano de conflito entre Tel Aviv e o Hezbollah, que enfraqueceu o grupo extremista.

ESCALADA DO CONFLITO

EUA e Israel atacaram o Irã no sábado. Os ataques mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos.

Irã retaliou com bombardeios contra Israel e bases militares dos EUA. Foram atingidas instalações norte-americanas em países como Catar, Emirados Árabes, Kuwait e Bahrein.

Governo dos EUA afirmou que os danos causados às suas instalações foram "mínimos". A Casa Branca declarou, ainda, que o país continuará a atacar o Irã até que "todos os seus objetivos sejam atingidos".

Hezbollah entrou no conflito em apoio ao Irã. O grupo extremista libanês realizou bombardeios contra Israel em Haifa em retaliação pela morte de Khamenei. Não há relatos de israelenses feridos.

Israel revidou o ataque e bombardeou áreas do Líbano. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses mataram ao menos 31 pessoas. Outras 149 ficaram feridas.

Na manhã desta segunda-feira (2), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado o gabinete do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e o comando da Força Aérea israelense, segundo a AFP. O governo israelense negou. Tel Aviv disse não haver registro de ataques em Jerusalém, informou o jornal Times of Israel.

Antes da negativa de Israel, governo iraniano disse que o paradeiro de Netanyahu era "incerto". O primeiro-ministro israelense não apareceu em público desde o anúncio.

*Com AFP e RFI