Projetamos 4 ou 5 semanas de guerra, mas temos poder para muito mais, diz Trump

Por ISABELLA MENON

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira (2), que projetou a guerra no Irã para durar entre quatro e cinco semanas, mas afirmou que o país tem capacidade para "ir muito além disso".

Assim como em entrevistas concedidas previamente, ele disse que o curso dos ataques está adiantado. "Mas, seja qual for o tempo, está tudo bem, custe o que custar", disse o republicano.

Esta é a primeira aparição pública de Trump desde o início dos ataques no Irã, que começou na madrugada do último sábado (28). Até agora, ele tinha aparecido apenas em vídeos gravados divulgados nas redes sociais.

Nos últimos dias, ele esteve em sua residência em Mar-A-Lago, na Flórida, e deu curtas entrevistas a jornais e TVs por telefone. Ao todo, ele falou com dez veículos, lista que inclui CNN, New York Post, Fox News, Daily Mail, The Atlantic, NBC, ABC e Telegraph. Tradicionalmente o republicando não costuma dar tantas entrevistas em sequência.

Antes do evento na Casa Branca, ele afirmou à CNN que a maior onda de ataques "ainda está por vir" e disse que os EUA estão dando uma "surra" no Irã. "Eu acho que está indo muito bem. É algo muito poderoso e nós temos os melhores militares do mundo e estamos usando eles."

O presidente retornou a Washington no domingo a noite, mas não respondeu a questionamentos de jornalistas. A cerimônia em que o presidente participou homenageava veteranos que lutaram e morreram em guerras americanas no Vietnã e no Afeganistão ?lá, ele também não respondeu a questionamentos.

Ainda sobre a guerra, ele afirmou que esta foi última e melhor chance de acabar com armas nucleares do regime. "Eles teriam mísseis para atacar nossa bela América", disse ele. As justificativas, como mostrou uma reportagem do The New York Times, são falsas ou não comprovadas.

Ele destacou quatro objetivos da guerra: destruir as capacidades de mísseis do Irã, "aniquilar" sua Marinha, impedir que o país desenvolva armas nucleares e garantir que o regime não possa continuar financiando aliados na região.

O presidente não falou sobre mudança do regime, mas o classificou como "sinistro" e "doentio". Trump disse ainda que ouviu de jornalistas que ficaria entediado com a guerra. "Eu não fico entediado. Não tem nada entediante sobre isso."

Ele também criticou os democratas e falou sobre a sua decisão, em 2018, de retirar os EUA do acordo nuclear negociado com o Irã pelo então presidente Barack Obama. Trump afirmou que aquele era "um documento horrível e perigoso" e disse que o pacto poderia ter dado ao Irã "armas nucleares três anos atrás".

Após breve discurso, ele mudou o tema e começou a falar sobre a reforma que está fazendo no novo salão de festas, que está em obras na Casa Branca e elogiou as cortinas da sala onde ocorre o evento. "Eu que escolhi essas cortinas no meu primeiro mandato", disse. "Sempre gostei de ouro."

Mais cedo, o secretário do departamento de Defesa, Pete Hegseth usou o slogan America First (América em Primeiro Lugar, em inglês) em um discurso para justificar os ataques e afirmou que qualquer um que ameaçar o país vai ser morto. "Se vocês matarem americanos, se ameaçarem americanos em qualquer lugar da Terra, nós vamos caçá-los sem pedir desculpas e sem hesitação, e vamos matá-los", disse.

Diferente que Trump que citou brevemente as mortes dos americanos no conflito, ele falou ainda que o país está em luto pelos quatro militares que morreram durante a operação. "Nós não começamos esta guerra, mas sob o presidente Trump, nós vamos terminá-la."

Desde o início dos ataques, a gestão Trump tem sido criticada por dar início a mais um conflito no Oriente Médio. Até apoiadores temem que esta seja mais uma guerra sem fim, em que há um alto custo e causa a morte de militares americanos.

O secretário respondeu às críticas e prometeu um fim não tão longe. "Para a imprensa ao redor do mundo: Parem. Isso não é o Iraque. Não é interminável. Eu estive lá. Nossa geração sabe mais e este presidente também."

Hegseth falou ao lado do general Dan Caine, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, também expressou condolências às famílias dos militares mortos e feridos na operação. Porém, afirmou que mais mortes são esperadas ?Trump também tem admitido que é possível que mais americanos morram ao longo do conflito. "Como sempre, trabalharemos para minimizar as perdas americanas", disse Caine.