'Essa é a campanha mais cirúrgica e particular na história', diz cônsul-geral de Israel no Brasil

Por ANGELA BOLDRINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cônsul-geral de Israel no Brasil, Rafael Erdreich, afirmou nesta segunda-feira (2) que "toda bomba que está caindo [no Irã] tem um endereço" e que esta é "a campanha mais cirúrgica e particular na história".

Em entrevista coletiva, o diplomata respondia a questionamento sobre mortes de civis iranianos. Segundo o Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha árabe, já morreram 555 pessoas no país persa.

A organização também afirma que a maior mortalidade foi em uma escola primária feminina em Minab, no sul do Irã, com 153 vítimas. "Israel nunca teve objetivo de atacar civis, não em Gaza, mas também no Irã. Principalmente no Irã, porque nós estamos lá para apoiar o povo", afirmou.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian publicou nesta segunda-feira em redes sociais que o país "não ficará em silêncio" após o ataque relatado à escola. As Forças de Defesa de Israel dizem desconhecer operações na área do colégio, e os Estados Unidos afirmam estar investigando o incidente.

Erdreich criticou o embaixador do país persa, Abdollah Nekounam, que em conversa com jornalistas em Brasília deu destaque ao caso da escola. "É uma coisa extremamente triste, mas pergunto se ele mostrou o que fez o seu governo com cidadãos iranianos nas ruas de Teerã e em mais de 200 cidades", disse, referindo-se à repressão a protestos em janeiro que deixaram milhares de mortos.

"Eu não vou receber exemplos de como atuar do embaixador desse regime iraniano", afirmou.

Sobre as relações entre Brasil e Israel, que retirou a indicação de embaixador em julho de 2025 após a demora do governo brasileiro em aprovar o nome, o diplomata disse esperar que haja uma normalização em breve.

"Temos uma disputa com o governo brasileiro sobre como olhamos as coisas, por vários motivos, mas acho que é uma coisa temporária", afirmou.

O cônsul-geral listou o que seriam os objetivos de Israel na guerra: acabar com o programa nuclear iraniano, com instalações e arsenais de mísseis balísticos e com a capacidade do país de operar proxies na região.

Além disso, declarou que os ataques devem crescer nos próximos dias. "Está muito intenso, mas vai ser nos próximos dias ainda muito mais intenso; vamos ver ataques maiores."