Israel diz que vai matar sucessor de Khamenei; funeral é hoje

Por IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Defesa de Israel afirmou nesta quarta-feira (4) que o Estado judeu irá matar qualquer líder que for escolhido para manter as linha política da teocracia. O aiatolá Ali Khamenei, 86, comandava o Irã até ser morto em um ataque do rival em conjunto com os Estados Unidos no sábado (28).

"Qualquer líder selecionado pelo regime de terror iraniano para continuar a liderar o plano para a destruição de Israel, ameaçando os EUA, o mundo livre e os países da região, e reprimindo o povo iraniano, será um alvo certo para assassinato, não importando seu nome ou suas ideias", disse no X Israel Katz.

O ministro é conhecido por sua linha dura, mas neste caso a ameaça deve ser levada a sério. Na véspera, Israel passou um recado ao destruir o edifício onde normalmente se reúne a Assembleia dos Especialistas, um órgão com 88 membros que deverá fazer a escolha do novo líder supremo do país.

Não há relatos de vítimas até aqui. À agência Reuters, funcionários iranianos afirmaram que o processo de seleção do sucessor está adiantado, sem dar detalhes. O favorito até aqui é um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, de 56 anos.

Ele é um discreto clérigo sem grande expressão, o que leva à sugestão de que ele será mais uma figura de frente do regime no primeiro momento. O verdadeiro poder do país está com políticos como o poderoso chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, que tem mantido um discurso de confronto com EUA e Israel.

Enquanto a escolha não é feita, o país vai sendo nominalmente comandado por uma trinca composta pelo presidente Mesoud Pezeshkian, pelo aiatolá Alireza Arafi, 1 dos 12 membros do central Conselho dos Guardiões, e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.

Um momento de tensão ocorrerá nesta quarta, quando haverá o início dos três dias de funeral de Khamenei, que liderou o Irã desde a morte do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, em 1989.

O evento está marcado para as 22h locais (15h30 em Brasília) com uma reunião de seguidores do líder no salão de orações da mesquita Grande Mosalla, em Teerã. Não está certo se figuras de proa do que sobrou do comando do país estarão lá.

Afinal de contas, a campanha americana e israelense tem na sua base a decapitação do regime. O principal golpe até aqui foi o bombardeio de uma reunião de 40 líderes militares e políticos, inclusive Khamenei, na manhã do sábado.

Com dados de informantes locais, Israel promoveu um ataque de precisão que matou, segundo relatos, quase todos os presentes. Além de Khamenei, havia líderes vitais na área de defesa, como o chefe da Guarda Revolucionária, Mohamad Paktour.

Larijani, Pezeskhian e outros foram rápidos em tentar mostrar normalidade sucessório, e as forças militares conseguiram lançar uma rápida retaliação que dura até agora contra alvos americanos e de aliados dos EUA no Oriente Médio mesmo com o caos no topo da cadeia de comando.

Esse tom desafiador foi exacerbado nesta quarta com o anúncio do Irã de que controla o vital estreito de Hormuz, após Donald Trump dizer que vai garantir a passagem de petroleiros por lá com sua Marinha, gerando um impasse.