Ataque de submarino dos EUA é o 1º desde a Guerra das Malvinas

Por IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ataque que provocou o afundamento da fragata iraniana Dena na costa de Sri Lanka, executado por um submarino nuclear dos Estados Unidos, é o primeiro do tipo desde a Guerra das Malvinas, em 1982. É também um feito inédito para a Marinha americana desde a Segunda Guerra Mundial.

Em 2 de maio de 1982, o submarino nuclear britânico HMS Conqueror perseguiu e afundou o cruzador leve argentino ARA General Belgrano, matando 323 de seus 1.138 tripulantes.

A perda foi equivalente a metade de todos os soldados de Buenos Aires mortos na operação expedicionária de Londres para recuperar o controle das ilhas Falkland, invadidas pelos argentinos, que as chamam de Malvinas.

Também foi a primeira vez que um submarino americano afundou um navio desde o fim da Segunda Guerra Mundial, contra o Japão no Pacífico.

Segundo o Pentágono, foi empregado na ação um submarino de ataque não denominado. A Marinha dos EUA opera três classes desta embarcação, e a mais numerosa é a Los Angeles, com 40 unidades. Foi usado apenas um torpedo pesado Mk48, que custa cerca de R$ 25 milhões a peça e carrega uma ogiva explosiva de 293 kg.

A Dena era um dos mais modernos navios de guerra do Irã, tendo entrado em operação em 2021. Ela é uma versão modernizada de uma classe anterior de fragatas, e chama a atenção sua localização a 3.500 km do visado estreito de Hormuz, principal foco da tensão naval na atual guerra lançada pelos EUA e Israel contra a teocracia.

O navio deslocava 1.500 toneladas e, apesar de ser chamada de fragata pelo Irã, cai na qualificação de corveta, mais leve. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, o país operava quatro modelos modernizados do navio.

Morreram na ação ao menos 80 marinheiros, mas mais de 20 estão desaparecidos. Outros 80 foram resgatados, segundo o governo de Sri Lanka.

Os EUA têm intensificado a propaganda de suas ações navais, reagindo às declarações do Irã de que controla o vital Hormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. Na prática, o estreito está inoperante, mas os EUA dizem estar dizimando a Marinha rival ?ao menos 20 navios já foram afundados.