O que é o Estreito de Ormuz, rota do petróleo que o Irã ameaça fechar

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A escalada da tensão no Oriente Médio levou o Irã a ameaçar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.

Um eventual bloqueio ou ataques na região podem provocar impactos diretos na economia global.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo localizado entre Irã e Omã, conectando o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e ao oceano aberto. No ponto mais estreito, tem cerca de 33 quilômetros de largura e é considerado um dos corredores energéticos mais importantes do planeta.

Cerca de 20% de todo o petróleo comercializado mundialmente passa diariamente pela rota. A maior parte desse volume segue para China, Japão, Coreia do Sul e países da Europa, economias altamente dependentes de energia importada.

Com o aumento das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, a navegação no estreito se tornou extremamente arriscada. Em determinados momentos, a passagem ficou praticamente paralisada para navios comerciais devido ao risco de ataques.

Na segunda-feira (2), um representante da Guarda Revolucionária iraniana declarou que o canal estava fechado. Segundo uma emissora estatal, um funcionário de alto escalão do grupo afirmou que qualquer embarcação que tentasse atravessá-lo poderia ser alvo de ataques.

O Comando Central dos Estados Unidos, no entanto, afirmou que o estreito não foi formalmente bloqueado sob as leis marítimas internacionais e que permanece aberto ao tráfego, apesar das ameaças. O presidente Donald Trump declarou que a Marinha dos EUA pode iniciar a escolta de petroleiros na região, se necessário.

Nesta quarta-feira (4), a empresa de análise Kpler informou que o tráfego de petroleiros pelo estreito caiu cerca de 90% em uma semana. A Reuters relatou ainda que o fornecimento de petróleo bruto do Iraque e do Kuwait já foi significativamente reduzido.

Analistas do banco JPMorgan Chase alertam que um bloqueio prolongado pode retirar milhões de barris por dia do mercado internacional. A situação pode comprometer severamente o abastecimento global.

Diante da instabilidade, países como o Paquistão passaram a buscar rotas alternativas para garantir suprimentos, incluindo o redirecionamento de cargas para o porto de Yanbu, na Arábia Saudita. Essas rotas, contudo, são mais lentas e elevam os custos logísticos.