Pressionado por Trump sobre Irã, primeiro-ministro espanhol fala com Lula
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, conversou por telefone com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o conflito no Oriente Médio. Na ocasião, os dois líderes demonstraram preocupação com a situação na região e pediram a retomada das negociações de paz.
Conversa entre os políticos ocorreu na tarde desta quarta-feira (04). Na mensagem, Sánchez expressou a sua preocupação com a guerra entre Irã e Estados Unidos e Israel, iniciada no sábado (28), e que vem se espalhando pela região.
"Acabo de conversar com o presidente Lula sobre a situação no Oriente Médio. Ambos compartilhamos nosso desejo de que cesse a guerra e comece, o quanto antes, uma negociação no marco da legalidade internacional. Trabalharemos juntos para esse futuro", disse Sánchez.
Lula também pediu o início das negociações de paz e o encerramento do conflito na região. "Conversamos sobre a situação no Oriente Médio. Compartilhamos o desejo de que a guerra possa chegar a um fim com a maior brevidade possível e que as negociações de paz possam ter início sob o amparo do direito internacional", afirmou o presidente brasileiro.
"Reiteramos também nosso compromisso com o multilateralismo como caminho para a construção da paz e do desenvolvimento sustentável de que o mundo tanto precisa", falou ainda Lula.
Os dois combinaram um encontro bilateral em 17 de abril em Barcelona.
CRISE ENTRE ESPANHA E EUA
Conversa com Lula ocorre em meio à tensão entre Espanha e EUA. O governo Trump queria utilizar bases localizadas em território espanhol -principalmente Rota e Morón- para enviar aviões na guerra contra o Irã.
Espanha disse não. O governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez, recusou autorizar o uso das bases para essa ofensiva, o que irritou Trump.
Trump criticou duramente a Espanha. Em falas públicas, ele chegou a dizer que o país seria "aliado terrível" e ameaçou cortar ou reduzir as relações comerciais com o país como forma de pressão.
ESPANHA DESMENTE OS EUA
Porta-voz da Casa Branca disse mais cedo que a Espanha aceitou ajudar os Estados Unidos. Ao ser questionada por jornalistas sobre a negativa da Espanha em permitir que aviões de guerra americanos usassem suas bases em território espanhol, Karoline Leavitt respondeu da seguinte forma: "Tenho entendido que, nas últimas horas, concordaram em cooperar com o exército americano."
Ministro espanhol desmentiu a Casa Branca minutos depois. José Manuel Albares, ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, demonstrou irritação ao desmentir as declarações feitas anteriormente por integrantes do governo de Donald Trump.
"Isso não é verdade. Negamos categoricamente. A posição da Espanha não mudou. A posição do governo espanhol sobre a guerra no Oriente Médio não mudou nem um pouco. Francamente, não tenho ideia do que ele possa estar se referindo, e quero deixar uma coisa clara: a posição do governo espanhol não mudou em nada", argumentou Albares.
