De filho de Khamenei a clérigo moderado, veja candidatos cotados para ser líder supremo do Irã
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a morte do aiatolá Ali Khamenei na guerra do Irã, o país persa ainda não definiu um novo líder supremo. A escolha está a cargo da Assembleia de Especialistas, órgão composto por 88 autoridades islâmicas altamente graduadas eleitas por voto popular a cada oito anos.
Entre os que poderiam assumir o cargo está Mojtaba Khamenei, filho de Khamenei, que começou a aparecer mais em eventos públicos. Outra possibilidade é Hassan Khomeini, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã.
Enquanto a decisão não é tomada, o país vai sendo comandado por uma trinca composta pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo aiatolá Alireza Arafi, 1 dos 12 membros do Conselho dos Guardiões, e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.
Veja, abaixo, os clérigos mais cotados:
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MOJTABA KHAMENEI
Segundo filho de Khamenei, ele é considerado por especialistas como o favorito para assumir o lugar do pai. O clérigo de 65 anos nasceu em 1969 em Mashhad, um importante centro religioso no Irã, uma década antes de a República Islâmica ser estabelecida, em parte por esforços de seu pai, em 1979.
Ele ingressou pela primeira vez na Guarda Revolucionária do Irã por volta de 1987, após terminar o ensino médio. Lutou durante o período final da guerra do Irã com o Iraque, que durou de 1980 a 1988, e é conhecido por ter laços com a Guarda, uma das principais instituições do país.
Ele se casou com Zahra Haddad Adel, filha de um político conservador iraniano, Gholam-Ali Haddad Adel. O casamento fortaleceu seus laços dentro da base conservadora do país.
HASSAN KHOMEINI
Neto do fundador da Revolução Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, é visto como uma opção mais moderada dentro do clero iraniano. Khomeini tem 53 anos e é considerado próximo de figuras do movimento reformista iraniano, incluindo os ex-presidentes Mohammed Khatami e Hassan Rouhani.
Ele é guardião do mausoléu de seu avô, no sul de Teerã.
GHOLAM-HOSSEIN MOHSENI-EJEI
Aos 69, ele é chefe do Judiciário iraniano desde julho de 2021, quando foi nomeado pelo próprio Khamenei. Anteriomente, ocupou outros cargos importantes: foi ministro da Inteligência e procurador-geral.
É considerado uma figura linha-dura, alinhada à ala conservadora do regime. Em janeiro deste ano, durante os protestos que se espalharam pelo país, ele prometeu "tolerância zero" com os manifestantes e afirmou que os EUA e Israel "apoiaram abertamente" os distúrbios no país.
O Departamento de Estado dos EUA e a União Europeia o sancionaram em 2011 por seu papel na repressão aos protestos pós-eleição de 2009. Segundo a decisão da UE, agentes de inteligência sob seu comando prenderam e torturaram ativistas, jornalistas, dissidentes e figuras políticas reformistas.
ALIREZA ARAFI
O clérigo de 67 anos nasceu na cidade de Meybod, na província de Yazd. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, foi retratado pela imprensa estatal como próximo de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica e antecessor de Khamenei.
Arafi mudou-se ainda criança para Qom, principal centro teológico do país, onde estudou com figuras que mais tarde ocupariam postos-chave no regime. Ao longo dos anos, alcançou o título de mujtahid, que lhe confere autoridade para interpretar a lei islâmica.
Em maio de 2022, Arafi se encontrou com o então papa Francisco no Vaticano durante uma visita oficial representando o Irã.
MOHAMMAD-MAHDI MIRBAGHERI
Nascido em 1961, chefia a Academia de Ciências Islâmicas de Qom, o principal centro de ensino islâmico do Irã. Representa a ala mais conservadora do clero iraniano.
SADEQ LARIJANI
O ex-chefe do Judiciário Sadeq Larijani também aparece entre os possíveis candidatos, ainda que com menos força. Ele é membro de uma família influente no regime ?seu irmão mais conhecido é Ali Larijani, ex-presidente do Parlamento e ex-negociador nuclear do Irã, enquanto outro irmão, Mohammad Javad Larijani, ocupou altos cargos diplomáticos.
Nascido em Najaf, no Iraque, é filho do aiatolá Hashem Larijani. É considerado figura-chave na repressão de protestos na República Islâmica.
