EUA e Venezuela restabelecem oficialmente relações diplomáticas, rompidas desde 2019

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos e a Venezuela concordaram em restabelecer relações diplomáticas e consulares, informou o Departamento de Estado americano em comunicado nesta quinta-feira (5), acrescentando que o foco está em criar condições para uma transição pacífica a um governo democraticamente eleito.

Os países não tinham relações formais desde 2019, quando o primeiro governo Donald Trump reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

"Este passo facilitará nossos esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar na reconciliação política na Venezuela", afirmou o Departamento de Estado. "Nosso compromisso está focado em ajudar o povo venezuelano a avançar por meio de um processo gradual que crie as condições para uma transição pacífica para um governo democraticamente eleito."

Após meses de tensões elevadas, os EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, desencadeando uma série de mudanças no país, incluindo a posse da líder interina Delcy Rodríguez. Desde então, os dois países retomaram gradualmente as relações bilaterais.

Poucos dias depois da captura de Maduro, em janeiro deste ano, o regime venezuelano anunciou o início do que chamou de "processo exploratório de natureza diplomática" para retomar as relações com Washington, que têm o histórico de décadas de turbulência e que tinham sido rompidas em 2019.

Os EUA, por sua vez, enviaram ao país sul-americano uma delegação liderada por John McNamara, encarregado de negócios americanos na Colômbia, para fazer uma avaliação de uma "possível volta gradual das operações diplomáticas", também de acordo com nota divulgada pelo governo.

Em janeiro, o chanceler venezuelano, Yván Gil, afirmou que o regime decidiu abrir um canal de diálogos preliminares com Washington em que as partes discutiriam o restabelecimento de representações nos países. Em sinal de cautela, porém, Gil disse que os diálogos teriam o objetivo de avaliar as condições para a retomada formal das relações bilaterais, ação tomada nesta quinta.

As movimentações marcam uma inflexão numa relação marcada por tensões que antecedem a chegada de Nicolás Maduro ao poder. Seu antecessor, Hugo Chávez, acusava com frequência Washington de conspirar contra seu governo. Um dos episódios mais simbólicos do confronto retórico entre Chávez e os EUA ocorreu em 2006, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. "O diabo esteve aqui ontem", disse o então líder venezuelano ao subir à tribuna após o presidente americano, George W. Bush.

Em 2019, Maduro anunciou o fechamento da embaixada venezuelana em Washington após romper de vez relações com o governo de Donald Trump.

Washington reagiu de forma simétrica. Os EUA fecharam a embaixada em Caracas depois de não reconhecer a primeira reeleição de Maduro, em 2018. A segunda, em 2024, também foi rejeitada e classificada de fraudulenta, inclusive por observadores internacionais, o que aprofundou a crise bilateral.

Com Delcy, vista pelos EUA como uma líder capaz de conduzir um processo de estabilização da economia venezuelana, os dois lados se aproximaram diplomática e economicamente e retomaram as relações.

A decisão acontece em meio à guerra no Irã, iniciado pelos EUA e por Israel no último sábado (28). O presidente americano afirma que sua expectativa no país persa é que haja uma troca no poder "assim como na Venezuela". Trump afirma que seu governo terá papel na escolha do próximo líder supremo iraniano. O país do Oriente Médio, por sua vez, não sinaliza nada nesta linha.