Assembleia de Especialistas do Irã se reunirá em até um dia para escolher novo líder supremo, diz aiatolá

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Assembleia de Especialistas do Irã, órgão clerical encarregado de escolher o novo líder supremo do país, se reunirá em até um dia para escolher o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto no último sábado (28) pelo ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel. A imprensa do país credita a informação ao aiatolá Mozafari, membro do grupo.

Mais cedo, dois clérigos influentes e linha-dura da nação pediram a rápida escolha de um novo líder supremo em meio a uma nova onda de ataques de Washington e Tel Aviv, também de acordo com a imprensa local neste sábado (7).

Os apelos sugerem que pelo menos alguns membros do clero estão desconfortáveis com a ideia de deixar um conselho de três membros no comando, mesmo que temporariamente, após o assassinato de Khamenei.

O aiatolá Naser Makarem Shirazi disse que uma nomeação era necessária rapidamente para "ajudar a organizar melhor os assuntos do país", segundo a mídia estatal. O aiatolá Hossein Nouri Hamedani também instou os membros da Assembleia de Especialistas, órgão clerical encarregado de escolher o novo líder, a acelerarem o processo de seleção do sucessor de Khamenei.

O pedido ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que os EUA deveriam ter um papel na escolha do novo líder, uma exigência que o Irã rejeitou.

Seguindo as normas estabelecidas na Constituição do Irã, um conselho de três membros, composto pelo presidente, um clérigo de alto escalão e o chefe do Judiciário, assumiu o papel de líder supremo até que a Assembleia de Especialistas tome uma decisão.

A Constituição estipula que um líder supremo deve ser escolhido em até três meses, embora, com a guerra em curso, não esteja claro quão rápido o órgão, composto por 88 membros, poderá se reunir.

Na semana passada, duas importantes autoridades religiosas xiitas também emitiram fatwas, ou decretos religiosos, convocando muçulmanos de todo o mundo a vingar a morte de Khamenei. Makarem Shirazi afirmou que esse é um dever religioso para os muçulmanos "até que o mal desses criminosos seja erradicado do mundo".

Neste sábado, Trump disse que o Irã seria "atingido com muita força". "Estão sendo seriamente consideradas para destruição completa e morte certa, devido ao mau comportamento do Irã, áreas e grupos de pessoas que não eram considerados alvos até este momento", afirmou o republicano em sua plataforma, a Truth Social.

Apesar das ameaças, um relatório confidencial do Conselho Nacional de Inteligência visto pelo The Washington Post concluiu que dificilmente um ataque em larga escala contra o Irã conseguiria destituir o establishment e mudar o regime da república islâmica.

De acordo com o jornal americano, o documento foi concluído uma semana antes de os EUA atacarem o Irã, no sábado passado (28). O relatório afirmaria que o clero e as Forças Armadas do Irã conseguiriam organizar uma sucessão tanto em uma campanha direcionada contra líderes quanto em um ataque mais amplo contra as instituições governamentais.

Trump vem apresentando objetivos contraditórios para a guerra. Ele já falou em uma possível deposição das armas por parte das forças iranianas, mencionou protestos que derrubariam o regime e citou como inspiração a Venezuela, que atualmente colabora com os EUA após o ditador Nicolás Maduro ser capturado por Washington no início de janeiro.