Assembleia de Especialistas do Irã diz ter consenso sobre sucessor de Khamenei

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O aiatolá Mohammadmehdi Mirbaqeri afirmou neste domingo (8) que há praticamente um consenso a respeito do sucessor de Ali Khamenei, segundo a agência de notícias Mehr. Ele é membro da Assembleia de Especialistas, órgão responsável por decidir o próximo líder supremo do Irã.

Mirbaqeri disse, no entanto, que "alguns obstáculos" precisam ser resolvidos em relação ao processo. Outro membro do conselho, o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir, afirmou em um vídeo que o candidato foi escolhido com base na orientação de Khamenei de que o líder supremo deve ser "odiado pelo inimigo".

A Assembleia de Especialistas, composta por 88 autoridades islâmicas eleitas por voto popular, não revelou o nome de quem substituirá Khamenei, que estava no poder desde 1989. Na última semana, porém, vários nomes foram aventados, incluindo o do filho do falecido líder, Mojtaba Khamenei. Analistas também mencionaram o Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.

Escolher um deles enviaria um sinal de que personalidades linha-dura ainda detêm o controle do Irã.

Independentemente do nome, Israel já anunciou que o novo líder supremo será um alvo, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (5), em uma entrevista ao site Axios, que não aceitaria Mojtaba Khamenei no cargo.

A Assembleia de Especialistas ainda precisa resolver uma pequena divergência sobre se a decisão final deveria ser tomada após uma reunião presencial ou se deveria ser emitida sem essa formalidade.

Após o anúncio, militares israelenses afirmaram em uma publicação na rede social X que continuarão perseguindo todos os sucessores do líder supremo do Irã. Os militares alertaram ainda que perseguiriam qualquer pessoa que tentasse indicar um sucessor para o aiatolá Ali Khamenei, referindo-se ao órgão clerical.

Enquanto isso, Tel Aviv segue bomvardeando Teerã e outras cidades, como Isfahan e Yazd, no centro do Irã.

Neste domingo, uma espessa coluna de fumaça cobriu a capital iraniana após Israel bombardear quatro depósitos de petróleo na região da cidade ?o primeiro ataque relatado contra instalações petrolíferas do país desde o início da guerra. Após a ofensiva, o prefeito de Teerã, Mohammad Sadegh Motamedian, afirmou que a distribuição de combustível havia sido temporariamente interrompida.

Segundo o presidente da empresa nacional de distribuição de derivados de petróleo, Keramat Veyskarami, o ataque atingiu quatro depósitos e um centro logístico de produtos petrolíferos. O executivo afirmou que quatro pessoas morreram, incluindo dois motoristas de caminhões-tanque.

Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, disse que as "Forças Armadas são capazes de prosseguir por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações".

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ari Larijani, afirmou que os EUA se enganaram ao prever uma oposição de curta duração. "Pensavam que seria como na Venezuela: atacariam, tomariam o controle e acabaria", afirmou.

No início da guerra, Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime, instaurado em 1979. Contudo, embora Washington deseje a queda do regime, o objetivo declarado é destruir a capacidade balística do Irã e impedir que o país desenvolva uma bomba atômica, intenção que Teerã nega ter.

As autoridades iranianas registraram quase 1.000 mortos desde o início do conflito, dos quais 30% são crianças. Agências de notícias não têm condições de verificar os números com fontes independentes.

Os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe participarão neste domingo de uma reunião de emergência por videoconferência sobre os ataques iranianos contra os territórios de vários países membros.