China diz que será um 'grande ano' na relação com os EUA em aceno a Washington

Por VICTORIA DAMASCENO

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - O chanceler chinês, Wang Yi, afirmou que 2026 será um "grande ano" para a relação entre China e Estados Unidos, declarando também que intercâmbios de "alto nível" já estão em discussão.

"As relações entre China e Estados Unidos mobilizam todas as partes e afetam o mundo inteiro. Se os dois países deixarem de se relacionar, isso só levará a mal-entendidos e erros de cálculo; caminhar para conflito e confronto prejudicará ainda mais o mundo", disse em entrevista coletiva na manhã deste domingo (8), no horário local, como parte da reunião anual do Congresso chinês, que se estende pela próxima semana.

As declarações ocorrem às vésperas de um esperado encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder do regime chinês, Xi Jinping, em Pequim. A reunião, ainda não confirmada, é aguardada desde o último encontro entre os mandatários em Busan, na Coreia do Sul, quando colocaram freios na disputa comercial que afetava os dois países.

Wang também declarou estar satisfeito com o fato de que os chefes de Estado têm dado o exemplo e mantido bom contato apesar das diferenças.

"O que agora é necessário é que ambos os lados façam preparativos minuciosos, criem um ambiente adequado, administrem as divergências existentes e eliminem interferências desnecessárias. A atitude da China sempre foi positiva e aberta; o ponto-chave é que os Estados Unidos também avancem na mesma direção."

O encontro entre Trump e Xi ocorre após o americano realizar uma ofensiva coordenada com Israel contra o Irã, parceiro estratégico de Pequim e uma das principais rotas de expansão da iniciativa Cinturão e Rota.

O chanceler voltou a condenar a ação no Oriente Médio, pediu cessar-fogo imediato e afirmou que o conflito sequer deveria ter acontecido.

"Ter o punho mais forte não significa ter mais razão; o mundo não pode retroceder à lei da selva. Recorrer facilmente à força não prova a própria força, e a população civil não pode se tornar vítima inocente da guerra", disse.

Além de Teerã, Trump também avançou sobre outro parceiro do regime chinês, a Venezuela, culminando na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, que aguardam julgamento em um centro de detenção americano.

O movimento é um desdobramento da estratégia de segurança nacional dos EUA, divulgada em novembro do ano passado, que declara que o governo passará a aplica a Doutrina Monroe. Trump também limitou as negociações de petróleo venezuelano, privilegiando acordos com empresas americanas.

O esforço trumpista é visto também como uma forma de barrar a influência chinesa na região, uma vez que Pequim já é, por exemplo, o principal parceiro comercial do bloco latino.

Em resposta a como a China reagirá às ambições americanas na região, Wang afirmou que os países devem decidir como serão usados os seus recursos e escolher os seus "amigos". "A cooperação entre China e América Latina não tem como alvo terceiros e tampouco deveria ser perturbada por terceiros", declarou.