Macron faz tour diplomático e tenta se vender como mediador de guerra no Oriente Médio
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da França, Emmanuel Macron, passou os últimos dias articulando com os principais atores envolvidos na Guerra no Irã, no que parece uma tentativa de se vender como mediador do conflito enquanto lida com pressão interna a um ano das próximas eleições presidenciais.
A mais recente iniciativa foi uma conversa sobre a situação no Oriente Médio com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, na manhã desta segunda-feira (9), de acordo com informações do Palácio do Eliseu. Antes disso, o francês já havia falado com o premiê na quarta passada (4), dois dias após Tel Aviv começar a atacar redutos do Hezbollah em Beirute.
Entre essas duas chamadas, no domingo (8), Macron conversou com seus homólogos americano e iraniano, tornando-se o primeiro líder ocidental a falar com o presidente da teocracia, Masoud Pezeshkian, desde o início da guerra.
Não foram divulgados detalhes da sua ligação com o presidente Donald Trump, mas, durante a chamada com Pezeshkian, Macron teria enfatizado "a necessidade de o Irã cessar imediatamente seus ataques contra países da região" e pedido que a nação garanta a liberdade de navegação no Estreito de Hormuz, segundo uma publicação do francês na rede social X.
Após ser atacado por Israel e Estados Unidos no final de fevereiro, o Irã retaliou com bombardeios no Estado judeu e em bases americanas em todo o Oriente Médio. Além disso, fechou o corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e por onde passam 20% do petróleo e do gás natural do mundo.
Macron voltou a falar sobre o bloqueio da passagem nesta segunda, após desembarcar no Chipre, um membro da União Europeia que foi atacado durante as ofensivas.
"Quando o Chipre é atacado, a Europa é atacada", afirmou ele ao lado de seu homólogo cipriota, Nikos Christodoulides, no aeroporto militar de Pafos, que foi atingido por um drone logo após o início do conflito. "Não aceitaremos que a menor porção de território europeu, como o Chipre, seja exposta ao perigo", acrescentou o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, que também estava presente.
Na manhã desta segunda, após a Turquia interceptar um míssil balístico, o Ministério das Relações Exteriores da França afirmou que o Irã precisa cessar o que chamou de ataques injustificados contra países da região.
Durante a tarde, o presidente francês visitou o porta-aviões francês Charles de Gaulle, que foi direcionado para a costa da ilha de Creta nos últimos dias. Segundo ele, a França está preparando uma missão internacional "puramente defensiva" para reabrir o Estreito de Hormuz.
A embarcação é o núcleo de um importante destacamento naval francês que também mobilizará "oito fragatas" e "dois porta-helicópteros anfíbios" numa vasta área que abrange o Mediterrâneo Oriental, o mar Vermelho e o Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico, afirmou Macron. Além da França, Itália e Espanha também enviaram uma fragata cada para a região.
As declarações ocorrem pouco após o líder francês assumir a Presidência do G7.
"Eu queria que pudéssemos mobilizar uma estreita coordenação no nível do G7 para melhor gerir as questões energéticas", disse Macron. Segundo ele, os países do grupo, que reúne as sete maiores economias do mundo, estavam considerando o uso de suas reservas estratégicas diante da disparada nos preços do petróleo por conta da guerra.
Apesar dos esforços, o presidente francês pode enfrentar dificuldades para se colocar como mediador. A conversa com Netanyahu na quarta passada foi a primeira desde o meio de 2025 ?mesma época em que Paris reconheceu a Palestina em resposta à guerra na Faixa de Gaza. A decisão, tomada também por países como Espanha, Reino Unido e Irlanda, foi criticada por Israel.
Internamente, Macron também tem desafios. Embora não possa mais concorrer nas eleições marcadas para abril de 2027, o atual presidente tenta achar um sucessor para competir com os líderes da ultradireita Marine Le Pen e Jordan Bardella, que lideram as pesquisas de opinião.
