Ameaças de EUA e Irã arriscam levar guerra ao estreito de Hormuz
WASHINGTON, EUA E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos e o Irã trocaram novas ameaças nesta terça-feira (10) e arriscam levar o embate militar ao estreito de Hormuz, fundamental para o mercado de energia global e atualmente bloqueado devido à guerra.
O chefe de segurança do país persa, Ali Larijani, disse em um post no X que a rota será "de paz e prosperidade" ou "de derrota e sofrimento" para os Estados Unidos e Israel. O estrito fica ao lado da costa iraniana e é por onde trafega 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Mais cedo, o major-general Ali Mohammad Naeini disse que as forças iranianas estão preparadas para um eventual confronto naval com os americanos. "As Forças Armadas da República do Irã estão aguardando a frota naval dos Estados Unidos", afirmou à imprensa estatal do país persa.
Na segunda, a Guarda Revolucionária do Irã já havia advertido que nenhum litro de petróleo do Golfo será exportado enquanto prosseguir o conflito. O comunicado foi divulgado horas após Donald Trump dizer que, se necessário, os EUA farão escolta de navios no estreito de Hormuz e atingirão o Irã "muito, muito mais forte", se o bloqueio da passagem de combustíveis continuar.
O general Dan Caine reforçou a ideia nesta terça, afirmando que avaliaria as opções se for encarregado de escoltar navios no estreito de Hormuz. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também disse que esta terça vai ser marcada por ataques mais intensos contra o Irã.
Teerã diz que as ameaças são vazias. Em outro post no X, Larijani mandou um recado direto a Trump: "Mesmo aqueles maiores do que você não conseguiram eliminar a nação iraniana. Cuide de si mesmo para não ser eliminado".
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, também afirmou que não terminou a ofensiva militar contra a República Islâmica. Mais cedo nesta terça, Teerã afirmou que lutará "pelo tempo que for necessário" contra Tel Aviv e Washington.
O preço do petróleo despencou nesta terça-feira com os investidores menos tensos após Trump ter dito no dia anterior que o conflito pode terminar em breve. O fim da guerra também permitiria que países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar retomassem a produção paralisada.
Na segunda, o petróleo chegou ao seu maior valor desde julho de 2022, quando bateu US$ 119,46.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o conflito, que já dura dez dias, ganha contornos de guerra prolongada. Apesar da coordenação profunda entre o Pentágono e as Forças Armadas de Israel para conduzir a guerra contra Teerã, os objetivos dos dois países e o cenário preferido de cada um para o fim do conflito não estão claros ?e começam, inclusive, a divergir, segundo especialistas.
