Otan terá futuro muito ruim se não ajudar no Estreito de Hormuz, diz Trump
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Donald Trump disse que a Otan pode enfrentar um futuro "muito ruim" se aliados dos EUA não ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio ao conflito no Oriente Médio.
Trump fez o alerta em uma breve entrevista ao jornal Financial Times. Ele afirmou que espera uma resposta dos aliados para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, um canal crucial para o transporte de petróleo.
Presidente dos EUA comparou a cobrança à ajuda americana dada à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Trump disse que, assim como os Estados Unidos prestaram auxílio a Kiev, ele espera que a Europa colabore no tema envolvendo o estreito.
Bloqueio do Estreito de Ormuz provocou disparada dos preços de energia no mundo, segundo Trump. Ele vinculou o impacto do bloqueio ao aumento dos preços globais.
Trump disse que uma negativa dos aliados terá efeito direto sobre a aliança militar. "Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, acredito que isso será muito ruim para o futuro da Otan", afirmou ao Financial Times.
TRUMP DIZ ESTAR DECEPCIONADO
Trump criticou, sem citar nomes, lideranças que não se disponibilizaram a ajudá-lo a "reabrir" o estreito de Hormuz durante uma sessão de perguntas e respostas com jornalistas hoje. Anteriormente, ele havia pedido reforço de navios de guerra na região, mas alguns países europeus, como a Alemanha, já se posicionaram contra.
"Alguns são países que ajudamos há muitos, muitos anos", acrescentou. "Nós os protegemos de fontes externas terríveis, e eles não se mostraram muito entusiasmados. E o nível de entusiasmo é importante para mim", declarou.
A União Europeia não expandirá sua missão para o Estreito. Ainda nesta tarde, Kaja Kallas, representante do grupo, declarou que há um claro desejo de fortalecer esforços no Oriente Médio, mas não em expandir para o Hormuz por enquanto.
Mais cedo, o americano já havia pressionado Xi Jinping a ajudá-lo, ameaçando não realizar uma viagem programada para China nos próximos dias. "Acho que a China também deveria ajudar na reabertura, pois o país importa 90% de seu petróleo pelo Estreito de Hormuz", declarou.
O republicano destacou, também sem mencionais quais, que alguns aliados já aceitaram reforçar a passagem estratégica. "Vários países me disseram que estão a caminho. Alguns estão muito entusiasmados com isso, outros nem tanto", falou. Reino Unido, China, França, Japão e Coreia do Sul estariam analisando a possibilidade.
Bloqueio a Hormuz se restringe aos 'inimigos' da República Islâmica, afirmou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi. À TV norte-americana, ele afirmou que a circulação pela área está 'fechada apenas para os petroleiros pertencentes aos nossos inimigos', como os EUA e Israel e os 'aliados' desses dois países.
Irã argumenta que outros países estão receosos de trafegar na área, mas insiste que não há bloqueio a eles. "Os demais têm liberdade para passar. Claro que muitos preferem não fazê-lo por questões de segurança. Isso não tem nada a ver conosco."
Trump começou seu pronunciamento dizendo que os EUA destruíram as capacidades militares do Irã. Ele afirmou que o país atingiu 7.000 alvos militares e comerciais iranianos - o que, segundo ele, deveria ter sido feito há anos atrás. "Levarão um bom tempo para reconstruir", acrescentou.
O líder também apelou para que outros países se envolvam "rapidamente" no conflito. Para ele, todas as nações que dependem economicamente do mercado de petróleo deveriam fazer algo a respeito da guerra que se desenvolve.