Navio de transporte de gás é atingido perto do estreito de Hormuz

Por IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto o presidente Donald Trump protesta contra a falta de apoio a aliados ao seu plano de montar uma força-tarefa para escoltar navios no estratégico estreito de Hormuz, dominado pelo Irã, mais um navio que opera na região foi atingido por um projetil nesta terça-feira (17).

A embarcação para transporte de gás natural liquefeito pertence à estatal de petroleiros do Kuwait e estava a 42 km do porto emirati de Fujairah, que fica logo após a saída do estreito para o golfo de Omã.

Segundo a UKMTO, órgão de operações marítimas do Reino Unido, houve danos mínimos. Não se sabe se o navio Gas al-Ahmadiah foi alvejado ou atingido por destroços de um drone interceptado, sendo esta última a hipótese considerada mais provável por agências de notícias.

O incidente é o primeiro do tipo em cinco dias, após uma onda em que o Irã alvejou quase 20 navios tanto no golfo Pérsico como do lado externo do estreito por onde passam 20% do gás liquefeito e do petróleo do mundo.

Do outro lado do estreito, em Sarjah (Emirados), um navio ancorado relatou ter visto explosões próximas, segundo a empresa de segurança marítima britânica Ambrey.

A crise fez o preço das commodities disparar, com o petróleo atingindo a casa dos US$ 105 (R$ 546) o barril referencial Brent nesta segunda (16).

Desde o começo da guerra, o Irã já declarou Hormuz fechado, e agora negocia passagens individuais de navios de países não envolvidos no conflito. O primeiro a fazer a travessia foi um petroleiro paquistanês, do domingo (15) para a segunda.

Ao mesmo tempo, segue atacando a infraestrutura petrolífera da região. O terminal de Fujairah, que é ligado aos campos de produção de Abu Dhabi por um oleoduto que permite evitar o trânsito em Hormuz, está fechado devido a ataques com drones iranianos.

Trump, por sua vez, demonstra novamente a falta de planos claros para o conflito que começou com Israel no dia 28 de fevereiro contra o regime de Teerã. Inicialmente, ele havia dito que iria garantir escolta para petroleiros, mas sua Marinha o alertou que isso demoraria muito tempo e seria arriscado.

O Irã militarizou todo o estreito a partir de sua margem norte, que controla. Os EUA então passaram a atacar navios que colocam minas marítimas, tendo destruído segundo Trump 30 dessas embarcações. Mas a rota feita pelos navios autorizados por Teerã sugere que há armas posicionadas em parte do trajeto.

Desde o fim de semana, com o agravamento da crise econômica decorrente da guerra, Trump tenta terceirizar a ideia de uma força-tarefa. Primeiro, sugeriu que aliados europeus e asiáticos, além da China, deveriam enviar navios de guerra para a região. Depois, ameaçou o futuro da aliança militar Otan pela falta do que chamou de "entusiasmo" dos europeus.

A resposta na segunda foi fria. Diversos países, como Reino Unido, França, Austrália e Alemanha, disseram não a Trump. A China nem se manifestou, e recebeu com frieza o pedido do americano para adiar um encontro previsto com Xi Jinping.

Ante o mal-estar, Trump protestou, dizendo por exemplo que estava "muito surpreso" com a posição britânica. "Esta guerra não é da Europa", resumiu a chefe da diplomacia da União Europeia, a estoniana Kaja Kallas.

Nesta terça, ela voltou a falar sobre o assunto em uma entrevista à agência Reuters, e levantou a hipótese de ser feito um acordo em Hormuz semelhante ao costurado pela Turquia entre Rússia e Ucrânia no mar Negro, que permitiu por um tempo a exportação de grãos e fertilizantes dos dois países pela região.