Guerra Irã-Israel-EUA se amplia com ataque em Teerã e pressão por Hormuz
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A guerra entre Irã, Israel e EUA entra na terceira semana e se espalha do território iraniano ao Golfo Pérsico e à fronteira norte de Israel, com impacto direto na segurança do Estreito de Ormuz.
Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas para reduzir tensões ou negociar um cessar-fogo com os EUA. Uma autoridade iraniana graduada disse que a posição foi "muito dura e séria" na primeira sessão de política externa do novo líder.
A mesma autoridade afirmou que Teerã só aceita falar em paz quando "os Estados Unidos e Israel se ajoelhem, aceitem a derrota e paguem uma indenização". Segundo o relato, a mensagem foi transmitida ao Irã por dois países intermediários.
Israel anunciou ter matado em Teerã o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, em um bombardeio. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o ataque ocorreu por volta das 23h de ontem (horário de Brasília) e declarou: "Atingimos a cabeça da cobra no Irã em uma operação bem-sucedida".
Katz também afirmou que Israel matou o general Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, descrita por Israel como peça central da repressão interna no Irã. O Irã ainda não confirmou oficialmente as mortes de Larijani e Soleimani.
As autoridades israelenses passaram a trabalhar com a perspectiva de que a guerra no Irã dure pelo menos mais um mês. Uma fonte citada pela RFI disse que Israel e EUA querem "esgotar as possibilidades" de provocar o colapso do regime iraniano e aprofundar o caos interno em Teerã.
HORMUZ VIRA EIXO DA ESCALADA E PRESSIONA ALIADOS
O Estreito de Hormuz segue em grande parte fechado, elevando preços de energia e o temor de inflação. A guerra já deixou pelo menos 2.000 mortos, segundo a Reuters, e não há previsão de término.
Donald Trump pressiona aliados europeus para ampliar a atuação naval e ajudar a reabrir a rota de petróleo no Golfo. A União Europeia, porém, tenta evitar envolvimento direto e avalia que uma intervenção mais ativa pode arrastar o bloco para a guerra.
A UE discutiu ampliar a Operação Aspides, criada em 2024 para proteger navios no Mar Vermelho, para incluir o Estreito de Hormuz, mas a proposta não avançou. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, disse que faltou "apetite político"; Alemanha, Espanha e Itália indicaram que não planejam enviar novas embarcações.
A crise também abriu nova tensão na Otan, com Trump dizendo que a aliança pode ter "um futuro muito ruim" se os parceiros não ajudarem em Hormuz. O secretário-geral Mark Rutte declarou apoio aos EUA, mas afirmou que não há discussão sobre acionar o Artigo 5º.
ISRAEL REFORÇA FRONTEIRA COM O LÍBANO
Israel concentrou forças no norte e mantém quatro divisões do Exército entre o norte do país e o sul do Líbano. A movimentação ocorre diante da possibilidade de uma ação terrestre em larga escala em território libanês.
Uma fonte militar de alto escalão disse à RFI que, se a ofensiva se expandir, a ação pode chegar ao rio Litani, cerca de 25 km ao norte da fronteira. O cenário amplia o risco de a guerra abrir um novo front, além dos ataques e contra-ataques entre Irã, Israel e EUA.
