Afeganistão acusa Paquistão de matar 408 pessoas em ataque contra hospital
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Talibã afegão acusou nesta terça-feira (17) o Paquistão de ter realizado um ataque contra um hospital em Cabul, que matou 408 pessoas e feriu outras 265. Islamabad nega a alegação, classificando-a como falsa e enganosa, e afirma que a ofensiva atingiu instalações militares e "infraestrutura de apoio a terroristas".
O episódio representa uma escalada do conflito entre os vizinhos. O ataque teria ocorrido na noite de segunda, horas após a China afirmar que continua disposta a atuar para reduzir as tensões entre os países e pedir que retomem as negociações.
O Paquistão afirma que o país vizinho abriga combatentes do movimento dos talibãs paquistaneses (TTP), que reivindicaram atentados mortais em seu território. As autoridades afegãs negam a acusação.
As tensões foram aumentando após o Paquistão lançar ataques aéreos contra alvos no Afeganistão no mês passado. Islamabad anunciou uma "guerra aberta" em 27 de fevereiro e, no mesmo dia, atacou Cabul.
Hamdullah Fitrat, porta-voz do Talibã, disse em publicação na rede X que o novo ataque ocorreu às 21h de segunda e teve como alvo um hospital que funciona como centro de reabilitação e tem 2.000 leitos.
Já o Ministério da Informação do Paquistão deu outra versão e afirmou que a ofensiva foi realizada contra um local militar. "As detonações secundárias visíveis após os ataques indicam claramente a presença de grandes depósitos de munição", disse o chefe da pasta paquistanesa, Attaullah Tarar, em um post no X.
"Nenhum hospital, centro de reabilitação ou instalação civil" foi alvo de bombardeios, acrescentando que o Exército fez ataques "precisos, deliberados e profissionais".
Os bombardeios provocaram pânico entre os moradores da cidade. Na manhã desta terça-feira, mais de cem pessoas tentavam obter notícias de seus parentes, e as operações para encontrar corpos e possíveis sobreviventes continuavam, segundo uma equipe da AFP que visitou o local.
Um andar do centro de saúde ficou carbonizado. Em outras áreas, prédios foram reduzidos a escombros, com apenas algumas camas ainda intactas. Cobertores e pertences pessoais estavam espalhados.
As Nações Unidas exigiram uma investigação "rápida e independente" sobre o ataque, o mais letal no conflito dos últimos meses entre os dois países.
A China voltou a pedir calma e contenção. A Índia, rival do Paquistão e recentemente mais próxima do Talibã, condenou o ataque de forma categórica. "O fato de esse ataque ter ocorrido durante o mês sagrado do Ramadã torna-o ainda mais repreensível", afirmou o porta-voz da chancelaria indiana.
