Guerra escala e leva terror a todo o Oriente Médio
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A guerra no Oriente Médio teve na madrugada desta quarta-feira (18), 19º dia, desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, uma das noites de violência mais espraiada pela região.
A retaliação promovida por Teerã pela morte na véspera do homem-forte do regime, Ali Larijani, levou a uma madrugada de terror nos países do golfo Pérsico atacados por sediarem bases americanas. Em Israel, o uso de mísseis pesados deixou dois mortos em Tel Aviv.
Na mão contrária, após os EUA atacarem bases de mísseis ao longo da costa do golfo no Irã, Israel voltou a promover ataques pesados contra o país persa e posições do Hezbollah no Líbano. Em Beirute, 12 pessoas morreram, e um edifício foi demolido com um único ataque nesta manhã.
O país árabe é o mais afetado pela guerra até aqui depois do Irã, que é o alvo primário, por abrigar o grupo extremista Hezbollah ?que já lutou diversas vezes contra Israel, e desta vez o faz para apoiar os seus patronos em Teerã.
Com efeito, porque os alvos de Israel estão em áreas densamente populadas, a mortalidade libanesa no conflito é a maior em proporção tanto ao número de habitantes do país quanto em relação aos feridos.
Foram 926 mortos até esta manhã, além de 2.200 feridos. Já o Irã, que tem 16 vezes mais habitantes, conta 1.444 mortos e 18.551 feridos, segundo os dados mais recentes do governo.
O ministro da Defesa do Estado judeu, Israel Katz, deu carta-branca para suas forças matarem quaisquer autoridades importantes do rival sem pedir autorização. Nesta madrugada, segundo ele, foi morto o ministro da Inteligência, Esmail Khatib.
Na véspera, além de Larijani havia sido morto Gholamreza Soleimani, comandante da poderosa milícia Basij. Nesta manhã, o Irã prometeu manter a intensidade dos ataques e jurou vingança.
O país persa indicou o caminho que tomará. Em uma rara ocasião na guerra, empregou seu míssil balístico Khorramshahar-4 contra Tel Aviv e o centro de Israel, e vídeos mostraram o momento em que a ogiva de pelo menos um deles desprende dezenas de submunições.
As chamadas bombas cluster, de fragmentação, são armas amplamente condenadas por deixarem um rastro de destruição potencial após os ataques. As pequenas bombinhas remanescentes às vezes não explodem, ficando como ameaças em solo.
Outras atingem alvos indiscriminadamente, como a casa de um casal de idosos no subúrbio de Ramat Gan, ao sul de Tel Aviv. Ambos morreram, elevando para 16 o total de mortos no país nesta guerra.
A retaliação iraniana também deixou insones moradores do golfo. "Foi uma das noites mais barulhentas. Dava para ver o céu todo iluminado, e o alerta no celular não parou de piscar", disse por telefone o brasileiro Mauro Araújo, consultor que está em Dubai.
O foco do ataque iraniano, com mísseis de curto alcance, foi o aeroporto da cidade, símbolo da pujança comercial e turística dos Emirados Árabes Unidos, país que concentra o grosso das ações de Teerã e já registrou oito mortos no conflito.
Houve interceptações de mísseis e drones também no Kuwait, Bahrain e Qatar. Na Arábia Saudita, defesas antiaéreas derrubaram aviões-robôs perto da capital, Riad, e houve registro de ataques pontuais na Jordânia e no Iraque.
No estreito de Hormuz, o contestado caminho de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, alguns navios tiveram sua passagem permitida pelo Irã.
O presidente americano, Donald Trump, falhou em montar uma força-tarefa com aliados europeus e asiáticos para reabrir à força o tráfego marítimo na região, gerando uma nova crise com a aliança militar Otan.
Apesar da intensidade, não houve relatos de danos importantes ou mortes nessa onda de ataque, com a exceção do casal israelense.
O mesmo não se pode dizer das ações de quem começou a guerra, particularmente Israel nesta quarta. Além dos ataques direcionados a autoridades em Teerã, o Estado judeu bombardeou pesadamente Beirute e outros pontos do Líbano.
As Forças de Defesa de Israel disseram nesta quarta que seu próximo objetivo é, assim que a evacuação do sul do país estiver completa, bombardear pontes sobre o rio Litani, que marca o limite da zona tampão em que o Hezbollah não deveria operar segundo o cessar-fogo de 2024 entre os rivais.
Com operações terrestres em curso na região, a expectativa é que, na prática Tel Aviv volte a ocupar a região, como já fez de 1982 a 2000.