Brasil mantém fluxo grande de turistas para os EUA, apesar de Trump e dólar alto

Por GUILHERME GENESTRETI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Dólar alto, cerco a imigrantes e endurecimento das regras de entrada não afugentaram os viajantes brasileiros dos Estados Unidos. Em 2025, mais de 1,9 milhão de turistas vindos do Brasil entraram naquele país, segundo o NTTO, órgão do governo americano que compila estatísticas de viagem.

Com isso, manteve-se entre os seis principais emissores de visitantes, atrás apenas de Canadá, México, Reino Unido, Índia e Japão.

Em 2024, ou seja, antes de Donald Trump assumir novo mandato como presidente, o número de turistas brasileiros foi praticamente o mesmo --apenas 0,1% a mais do que no ano passado.

Para Fred Dixon, CEO do Brand USA, agência que promove o turismo americano no exterior, isso é um sinal de que "o Brasil é bem-vindo", apesar das medidas tomadas pela atual gestão da Casa Branca.

"Não houve nenhuma mudança na política de emissão de vistos. Brasileiros continuam entrando e saindo do território americano todo dia sem nenhum problema", diz ele em entrevista à Folha. "Os Estados Unidos são um lugar seguro. Estamos investindo nesse mercado [brasileiro], sobretudo agora."

Dixon encabeça uma delegação de entidades que desembarcaram no Rio de Janeiro nesta semana para divulgar opções de viagem nos Estados Unidos. Com a proximidade da Copa do Mundo, que terá o país como uma de suas sedes neste ano, o objetivo é manter o fluxo de visitantes em alta. "Torneios e grandes shows são uma grande vitrine. Vimos o que Bad Bunny fez com Porto Rico nas apresentações dele."

Sul-americanos se mantêm como o principal emissor de visitantes na Flórida, por exemplo, e Nova York segue como um destino dos sonhos de brasileiros, mas o foco agora se volta a promover lugares fora dessa rota. "Outros locais querem aprender mais a respeito dos turistas latinos. Ainda não temos uma estratégia específica para isso, mas estamos atrás de soluções", diz Dixon.

Desde que Trump voltou à presidência, uma série de medidas causaram apreensão no setor turístico.

O governo anunciou uma triagem mais dura na imigração, ampliando os próprios poderes para verificar as redes sociais dos visitantes e barrar turistas a depender do que tiverem postado.

O republicano também chegou a anunciar um acréscimo de US$ 250 à taxa de US$ 185 para a emissão do visto de turismo. Caso a medida não tivesse sido suspensa, brasileiros teriam de desembolsar cerca de R$ 1.300 além dos R$ 960 em vigor.

Hoje, segundo levantamento do Brand USA, um total de 6,9 milhões de brasileiros têm visto válido para ingresso no território americano.

O jornalista viajou a convite do Brand USA