Brasil, México e até EUA enviam comitivas de ajuda humanitária a Cuba

Por MANOELLA SMITH

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Comitivas de diferentes países, incluindo Brasil, México e até Estados Unidos, estão organizando o envio de ajuda humanitária a Cuba em meio às sanções e ao bloqueio de petróleo imposto por Washington.

As mobilizações fazem parte da flotilha Nuestra América Convoy, que reúne organizações sociais de diferentes países para ajudar a ilha diante do agravamento da crise humanitária e energética. A meta do grupo é reunir ao menos meia tonelada de medicamentos.

Uma delegação de 140 ativistas partiu de Miami, nos EUA, rumo a Cuba levando cerca de 2.000 quilos de ajuda médica, segundo organizadores. Do México, embarcações como os veleiros Friendship e Tigger Moth zarparam de Isla Mujeres carregadas com doações. Outros grupos também partiram de Puerto Progreso, em Yucatán.

Parlamentares, lideranças sindicais e representantes estudantis brasileiros participarão da iniciativa, incluindo os deputados federais Luciene Cavalcanti (PSOL-SP) e Orlando Silva (PCdoB-SP). Os parlamentares embarcaram em um avião no Brasil e chegaram ao país na noite de quinta-feira (19).

"A primeira impressão que tive de Cuba na minha chegada foi a melhor possível. É evidente que o bloqueio gera um impacto, diminui o movimento das ruas, mas senti um povo confiante, esperançoso, de que essa fase difícil vai passar", afirmou Orlando Silva em um vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta (20).

O governo brasileiro também doou mais de 20 mil toneladas de alimentos a Cuba, incluindo arroz, feijão e leite em pó. Segundo o Itamaraty, o auxílio acontece por meio do programa de alimentos da ONU.

A ilha não recebe combustíveis há três meses por causa do bloqueio imposto por Donald Trump, segundo revelou o líder cubano Miguel Díaz-Canel em um raro pronunciamento à imprensa. A ilha tem convivido com apagões de até 20 horas diárias, hotéis fechados, voos cancelados e suspensão de coleta de lixo.

Em Havana, a falta de combustível já compromete serviços básicos. O bombeamento e a distribuição de água foram interrompidos nesta sexta em alguns pontos, deixando moradores com acesso limitado ao recurso.

O regime cubano negocia com os EUA uma forma de encerrar o bloqueio.

Ainda nesta sexta, a Rússia afirmou que mantém diálogo com Cuba para discutir formas de apoio. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que Moscou está em contato constante com autoridades cubanas, mas evitou comentar relatos sobre uma possível entrega de diesel à ilha.

Segundo o serviço de monitoramento marítimo Windward, um petroleiro está prestes a entregar clandestinamente, nos próximos dias, diesel de origem russa a Cuba, se conseguir chegar à ilha.

O Sea Horse, com bandeira de Hong Kong e que não está sujeito a sanções, transportaria, segundo a Windward, cerca de 190 mil barris de diesel russo, carregados a partir de outro navio na costa de Chipre no início de fevereiro.