Marinheiro posta treino no Strava e entrega posição de porta-aviões nuclear
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um oficial da Marinha Francesa expôs quase em tempo real a exata localização de um porta-aviões nuclear e sua escolta no meio do Mar Mediterrâneo ao registrar uma corrida que fez ao redor do convés do navio em um aplicativo. As informações são do jornal francês Le Monde.
Usando um smartwatch, o militar francês postou o treino de 7 km em seu perfil público no Strava, permitindo que qualquer pessoa rastreasse o navio e sua frota em tempo real. O Strava é um aplicativo que permite que corredores e ciclistas registrem e compartilhem suas atividades online.
O oficial estava a bordo do porta-aviões nuclear Charles de Gaulle. No momento da corrida, registrada no dia 13 de março, o navio estava a noroeste do Chipre e a cerca de 100 km da costa turca, aproximadamente duas semanas após ataques aéreos dos EUA e Israel ao Irã. O Le Monde cruzou os dados do Strava com imagens de satélite para confirmar a localização.
A presença militar da França no Mediterrâneo não é segredo. Em 3 de março, dias após o início da guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, o próprio presidente Emmanuel Macron anunciou o deslocamento do porta-aviões em missão defensiva com o objetivo de proteger aliados de ataques iranianos, defender bases francesas na região e interceptar ameaças.
Diante dessa situação instável e das incertezas dos próximos dias, ordenei que o porta-aviões Charles de Gaulle, seus recursos aéreos e sua escolta de fragatas se dirigissem para o Mediterrâneo Emmanuel Macron
O único porta-aviões francês estava então no Mar Báltico para exercícios da Otan e deveria permanecer lá até maio. Já no dia 6 de março, foi anunciada a sua passagem pelo Estreito de Gibraltar, que separa a Europa da África e conecta o Oceano Atlântico ao Mar Mediterrâneo.
Resta que a transmissão da posição exata do grupo aeronaval, quase em tempo real e publicamente na internet, constitui uma imprudência perigosa no contexto de guerra no Oriente Médio. Ainda mais porque, nas últimas semanas, pelo menos duas bases militares francesas na região foram atingidas por ataques do lado iraniano. Um soldado francês foi morto e seis outros feridos no norte do Iraque após um ataque de drone Le Monde
O Estado-Maior das Forças Armadas da França disse ao Le Monde que o marinheiro violou as regras de segurança digital ao compartilhar sua corrida. O órgão militar ainda prometeu que "medidas apropriadas serão tomadas pelo comando".
A violação de segurança ocorre enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, pressiona nações aliadas a reforçarem a proteção do Estreito de Ormuz. Embora o Departamento de Guerra tenha proibido anteriormente aplicativos de rastreamento desse tipo, a França tem, segundo o Le Monde, enfrentado repetidos problemas causados pelo Strava.