Trump ameaça enviar agentes do ICE para aeroportos dos EUA
.SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste sábado (21) enviar agentes federais de imigração para aeroportos do país em meio a um bloqueio de repasses à Agência de Segurança de Transportes (TSA, na sigla em inglês).
A medida surge no contexto de um bloqueio de repasses ao Departamento de Segurança Interna (DHS), órgão ao qual a TSA está subordinada. Desde 14 de fevereiro, os democratas no Congresso se recusam a liberar verbas para o departamento, exigindo novas restrições à aplicação das leis de imigração.
"Vou deslocar nossos brilhantes e patrióticos agentes do ICE para os aeroportos, onde eles farão a segurança como nunca se viu antes", escreveu Trump em publicação nas redes sociais. As negociações com os republicanos estão travadas, e a paralisação parcial do financiamento já entra em sua quinta semana.
Enquanto o impasse não se resolve, o Departamento de Segurança continua com o que chama de missões "essenciais", embora muitos de seus funcionários, como os agentes da TSA, estejam sem receber salário. A falta de financiamento teve poucas implicações para o ICE porque os republicanos aprovaram bilhões de dólares para a agência em seu projeto de lei tributária.
Agentes de triagem e outros funcionários da TSA estão a poucos dias de perder um segundo pagamento integral, mas estão sendo pressionados a comparecer ao trabalho.
Os funcionários têm faltado ao trabalho alegando doença nas últimas semanas, causando um aumento nos tempos de inspeção em alguns aeroportos, que têm se estendido por horas. A falta de agentes também tem levado a interrupções de viagens em grandes aeroportos.
O bilionário Elon Musk afirmou neste sábado que arcaria com os salários dos funcionários da TSA durante o impasse, sem dar detalhes sobre a viabilidade ou a execução dos pagamentos.
"Gostaria de me oferecer para pagar os salários dos funcionários da TSA durante esse impasse de financiamento que está afetando negativamente a vida de tantos americanos nos aeroportos em todo o país", escreveu o dono da SpaceX em publicação em sua rede social X.
Republicanos tentaram pressionar os democratas a ceder e a concordar em financiar o órgão sem novas restrições aos agentes que executam a campanha de deportação de Trump. Eles argumentaram que a guerra no Oriente Médio tornava ainda mais importante financiar as agências de segurança, incluindo a TSA e o Serviço Secreto.
Os democratas, porém, defendem sua própria proposta para financiar o departamento, excluindo o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega), o CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) e o gabinete do DHS. Os republicanos, porém, rejeitam a ideia.
Há semanas, a oposição vam negociando com a Casa Branca. Não há sinais recentes de progresso.
Os agentes do ICE não são especificamente treinados para a segurança aeroportuária, responsabilidade da TSA. O ICE tem desempenhado um papel central na repressão à imigração promovida pelo governo Trump.
O órgão avançou na meta do presidente de impor políticas de imigração mais rigorosas, reduzindo drasticamente as travessias ilegais na fronteira e aumentando a contratação de agentes do ICE.
A agência, juntamente com a Customs and Border Protection, tem enviado agentes nos últimos meses para várias cidades e estados, com foco nos governados por democratas, como parte dessa repressão.
A mais recente megaoperação, em Minnesota, resultou na morte dos cidadãos americanos Renee Good e Alex Pretti, atingidos por tiros disparados por agentes federais. A crise causou repercussão negativa até mesmo entre alguns republicanos e culminou com a demissão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
Trump indicou o senador republicano Markwayne Mullin para substituí-la, mas o nome ainda precisa ser aprovado pelo Congresso. Na quinta-feira (19), o Comitê de Segurança Interna do Senado votou por 8 a 7 para enviar a nomeação de Mullin ao plenário com recomendação favorável.