Ataque de Israel provoca apagão no Irã antes do fim do ultimato de Trump
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma série de ataques de Israel contra Teerã deixou partes da capital do Irã sem eletricidade na madrugada desta segunda-feira (23), horas antes do prazo final dado por Donald Trump para a teocracia reabrir o estreito de Hormuz, sob pena de ver suas usinas de energia bombardeadas.
A energia elétrica começou a cair logo após grandes explosões serem relatadas nos subúrbios da cidade de 9,8 milhões de habitantes. As Forças de Defesa de Israel, que lançaram ao lado dos Estados Unidos a atual guerra há três semanas, haviam acabado de divulgar a ação.
Ainda assim, os blecautes nas zonas norte, leste e oeste da cidade levaram a especulações de rede social acerca da autoria, com internautas temendo que Trump tivesse cumprido sua ameaça antes do ultimato que emitiu no sábado (21) expirar.
Até aqui, o governo iraniano não reagiu além da retórica desafiadora. Como vem fazendo desde que o prazo foi dado, disse numa reunião do seu Conselho de Defesa nesta segunda que irá retaliar se o republicano atacar.
Segundo o órgão, toda a infraestrutura energética de Israel e em torno de bases americanas na região será considerada alvo. Em caso de ataque a ilhas ou à costa do país, disse o conselho, o estreito de Hormuz será fechado e todo o golfo Pérsico será minado.
Hoje já há a suspeita de que trechos da faixa de navegação da via por onde passam 20% do petróleo e do gás natural do mundo tenha minas marítimas implantadas. Os poucos navios que transitam por lá com autorização iraniana, deixando o golfo Pérsico, o fazem por uma rota por águas de Teerã.
Ameaçado, o Irã elevou o tom apostando em mais caos econômico, além de manter seus ataques contra Israel e vizinho do golfo. Na semana passada, quando Tel Aviv bombardeou suas instalações no maior campo de gás natural do mundo, revidou destruindo parte da capacidade de exportação do líder deste mercado, o Qatar.
A tensão acabou reduzida, e o barril do petróleo do tipo Brent chegou a quase US$ 120, fechando a semana em US$ 112. Na abertura do mercado nesta segunda, flutua um pouco acima disso, após um pico de US$ 116, à espera do resultado do impasse.
Trump havia dito que daria 48 horas para a resposta do Irã a partir da publicação de sua postagem na rede Truth Social sobre o tema. O prazo acaba às 20h13, no horário de Brasília. As Bolsas asiáticas fecharam em queda com a expectativa de que o conflito irá escalar.
Antes do ultimato, o americano havia dado um sinal contrário, sugerindo desacelerar a guerra. No domingo (22), seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que poderia ser necessário escalar antes de desescalar, e sugeriu ação terrestre contra a ilha de Kharg, centro exportador de petróleo do Irã. Há 5.000 fuzileiros americanos a caminho do Oriente Médio.
Também nesta segunda, o governo britânico faz uma reunião de emergência para avaliar a crise. O premiê Keir Starmer disse, antes do encontro, "que não há uma avaliação de que o Irã esteja nos atacando" para levar Londres para a guerra como cobra Trump acerca da reabertura de Hormuz.
A base britânica na ilha de Chipre foi alvejada por drones, e no fim de semana dois mísseis tentaram atingir a unidade militar do país na ilha de Diego Garcia, no Índico. Um caiu no mar e o outro foi abatido por um navio americano.
O incidente causou surpresa, pois Diego Garcia fica a cerca de 4.000 km de distância de pontos de lançamento no Irã, e Até agora analistas e a própria teocracia diziam que o máximo que o regime conseguia atingir eram alvos a 2.000 km.
Segundo a mídia britânica, um submarino nuclear de ataque do país chegou ao mar da Arábia neste fim de semana, mas a Marinha não comentou.
Nesta madrugada, um incidente correlato ocorreu em Londres quando quatro ambulâncias de um serviço de emergência da comunidade judaica foram incendiadas. Segundo Starmer disse no X, foi um "profundamente chocante ataque antissemita".