Senado dos EUA confirma novo indicado de Trump para Segurança Interna
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O Senado dos Estados Unidos aprovou, na noite desta segunda-feira (23), a nomeação do senador Markwayne Mullin para o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês). Ele havia sido indicado por Donald Trump para o cargo no dia 5 de março.
A votação foi de 54 votos a favor contra 45 contra ?dois democratas aprovaram a nomeação, entre eles John Fetterman, da Pensilvânia, e Martin Heinrich, do Novo México.
Apenas um senador republicano votou contra ?Rand Paul, do Kentucky, que discutiu com Mullin na audiência na semana passada e repreendeu Mullin por declarações que fez depois que um vizinho de Paul o atacou violentamente, fazendo com que o parlamentar fosse hospitalizado. Mullin chegou a chamar Paul de "cobra maldita".
Mullin reconheceu que disse que "entendia" por que Paul poderia ter sido atacado, mas se recusou a pedir desculpas. "Apenas me pergunto se alguém que aplaude a violência contra seus oponentes políticos é a pessoa certa para liderar uma agência que tem lutado para aceitar limites ao uso adequado da força", disse Paul, olhando diretamente para Mullin na ocasião, que permaneceu impassível.
O novo secretário prometeu recuar de algumas das políticas de imigração agressivas que geraram preocupação entre parlamentares de ambos os partidos. Ele também afirmou desejar que, em seis meses, o DHS não seja mais "manchete principal todos os dias". "Meu objetivo é que as pessoas entendam que estamos lá fora, protegendo-as e trabalhando com elas."
O novo nome à frente da pasta vai enfrentar uma paralisação no orçamento (shutdown) que já dura mais de um mês após falta de consenso entre democratas e republicanos sobre o gerenciamento de verba da pasta. A paralisação é sentida no dia a dia dos aeroportos, que registraram filas de horas e passageiros perdendo voos nos últimos dias graças à falta de funcionários do DHS.
Nesta semana, Trump enviou agentes do ICE para os aeroportos para suprir a falta de funcionários. Pelas redes sociais, o presidente pediu que os agentes não fiquem mascarados durante o serviço nos aeroportos ?prática comum durante batidas contra imigrantes.
No início do ano, agentes da imigração mataram dois americanos, Renee Good e Alex Pretti, após protestos contra a truculência das batidas contra imigrantes supostamente em situação irregular.
Mullin foi nomeado após a demissão de Kristi Noem, envolta em diversas polêmicas relacionadas a administração da pasta, que acumulava desgastes após a morte de Good e Pretti.
No início do mês, o site de notícias Punchbowl afirmou que Trump tinha começado a questionar parlamentares republicanos se deveria demiti-la.
De acordo com o veículo, o presidente teria ficado insatisfeito com a postura de Noem diante de parlamentares e especialmente pela resposta ao ter sido questionada sobre uma campanha publicitária financiada pelo governo.
A peça teria custado cerca de US$ 220 milhões (R$ 1,14 bilhão) e foi concedida a uma empresa administrada pelo marido de Tricia McLaughlin, que foi porta-voz do DHS ?Noem disse ao Congresso ter discutido a campanha com Trump, uma gafe que teria selado sua demissão.