EUA serão 'pior pesadelo' do Irã, diz Trump ao pressionar acordo pela paz
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Donald Trump disse que o Irã sofrerá consequências graves se não aceitar o plano de paz com 15 pontos enviado pelo Estados Unidos.
Trump voltou a declarar que o Irã deveria aceitar um acordo pelo fim da guerra. "Se não concordarem, seremos o pior pesadelo deles. Enquanto isso, vamos continuar a explodi-los, sem impedir, sem parar", disse o presidente norte-americano durante reunião de gabinete.
O republicano não mencionou a rejeição inicial do Irã ao plano. Ele argumentou apenas que a decisão está com Teerã e que o regime irá sofrer consequências graves caso não concorde com o acordo.
Os EUA afirmaram que estão mantendo negociações com o Irã pelo fim da guerra. Teerã, no entanto, negou que negociações estejam em andamento.
As declarações de Donald Trump oscilam entre ameaçadoras e conciliadoras. Hoje, o republicano disse que os iranianos são ótimos negociadores e citou a destruição em áreas estratégicas no país persa.
Eles são ótimos negociadores. Péssimos combatentes, mas ótimos negociadores. Donald Trump
NEGATIVA INICIAL DO IRÃ
A resposta iraniana foi enviada oficialmente na noite de ontem por intermediários. A informação foi transmitida à Tasnim por uma autoridade iraniana a par das negociações que falou sob condição de anonimato.
Governo iraniano teria dito que a proposta oferecida é "injusta e unilateral". Acrescentou ainda que um caminho a seguir ainda poderia ser encontrado se o realismo prevalecesse em Washington. "Em resumo, a proposta sugere que o Irã abra mão de sua capacidade de se 'defender em troca de um plano vago para suspender' as sanções", argumentou a fonte.
Irã também estabeleceu suas condições: que agressões e assassinatos cessem; que o conflito não se repita; que o pagamento de danos e indenizações de guerra sejam feitos; e que o fim da guerra seja implementado em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos, incluindo o Hezbollah, do Líbano.
Teerã também teria deixado claro que não pretende abrir mão da soberania sobre o Estreito de Hormuz. Autoridades disseram ser um direito natural e legal do país, que deve ser respeitado. O bloqueio da via marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial tem sido um ponto de divergência com os EUA.
A mesma fonte ouvida pela agência iraniana enfatizou que a alegação americana de negociação é enganosa e um pretexto. Segundo ela, a gestão Trump está buscando enganar o mundo apresentando uma imagem aparentemente pacífica. Além disso, teria como objetivo manter os preços do petróleo baixos no mercado global e ganhar tempo para se preparar para uma nova ação agressiva no sul do Irã, por meio de uma incursão terrestre.
O Paquistão foi o responsável por transmitir a Teerã o plano americano de 15 pontos para interromper os combates. Ontem, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que analisava o plano de paz enviado, mas afirmou que isso não significava uma negociação em curso. Segundo ele, respostas e avisos emitidos a países vizinhos e amigos não podem ser chamadas de negociações. Já o governo paquistanês alegou se tratar de "negociações indiretas".
O conteúdo exato da proposta americana não foi divulgado. O jornal New York Times, por sua vez, adianta que programas nucleares e mísseis balísticos iranianos, além de vias marítimas são temas incluídos no plano.