Caminhão tomba com 20 toneladas de tofu nos EUA e apodrece

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Moradores de uma pequena cidade do Missouri, nos EUA, dizem que só voltaram a "respirar aliviados" após a retirada de um caminhão acidentado que ficou semanas espalhando cheiro de tofu podre.

Em 1º de março, um caminhão que transportava cerca de 20 toneladas de tofu tombou de uma rodovia. Veículo saiu da I-44 e caiu em uma ravina perto da saída 172, na região de Jerome, no Missouri. O motorista não se feriu, segundo Brandon Williams, chefe do Doolittle Rural Fire Protection District, que atendeu a ocorrência.

Carga e veículo ficaram no local por cerca de três semanas enquanto o tofu apodrecia. A imprensa norte-americana explicou que a retirada demorou porque empresas de reboque aguardavam a confirmação de que a seguradora cobriria o serviço. "Ficou ali no calor e no frio por três semanas, só fermentando", disse Williams ao jornal The New York Times.

Cheiro virou problema para quem passava pela área e precisava reduzir a velocidade na saída próxima ao ponto do acidente. O odor "te atingia como uma parede de tijolos", relatou Williams.

"Era como um animal morto, só que pior. Provavelmente é um dos piores cheiros que já senti na minha vida, e eu já senti coisas bem nojentas", disse.

Equipes retiraram o caminhão na terça-feira, com apoio de guindaste, e descartaram o tofu que ainda estava dentro do baú em um aterro. A limpeza do restante dos detritos deve seguir até o fim da semana, disse Marcia Johnson, gerente de comunicação do distrito central do Departamento de Transporte do Missouri (MoDOT), à STLPR, uma estação de rádio pública de St. Louis, Missouri, afiliada à NPR.

LIMPEZA VIROU 'PESADELO LOGÍSTICO'

Parte do tofu foi levada por enxurradas e acabou em um córrego, o que aumentou a área de limpeza e o trabalho manual. Donald Neal, gerente geral da D&D Towing & Repair, disse ao NY Times que alguns pedaços foram parar em terra a mais de uma milha do local do acidente.

Neal comparou o odor ao de um lixão em um dia quente de julho. "Foi pior do que um aterro num dia quente de julho. Estava rançoso, com certeza. Eu encarei. Teve gente usando máscara", afirmou.

Para remover os restos no córrego, trabalhadores precisaram entrar na água em alguns trechos mais fundos. Neal disse que foi necessário "atravessar água com um metro e meio de profundidade em alguns lugares" e que "vamos acabar precisando de um veículo anfíbio lá".

O distrito de proteção contra incêndio local brincou nas redes sociais com o episódio e com a demora na retirada. Em uma postagem, o Doolittle Rural Fire Protection District escreveu: "Caso você estivesse se perguntando, tofu tende a feder bem depois de ficar três semanas do lado de fora!."

EQUIPAMENTOS E CUSTO AINDA INCERTOS

A operação exigiu equipamentos pesados e ainda não tem custo final estimado, segundo empresas envolvidas no resgate. Dan Wojcikowski, da Big Boy?s Towing and Recovery, disse ao NY Times que foram usados cerca de US$ 3 milhões (R$ 15,9 milhões) em máquinas e estrutura, como escavadeiras, caminhão basculante e caçambas.

Wojcikowski afirmou que a prioridade é retirar o que ficou no córrego e que o serviço pode levar mais tempo. "Neste ponto, a gente só está tentando resolver o córrego e tudo o que está no córrego. Vai levar tempo. É tudo trabalho de pé", disse.

O caso também afetou o apetite de quem trabalhou na remoção. Neal afirmou: "sou um comedor de carne vermelha", ao explicar que não gosta de tofu e não tem vontade de experimentar depois do episódio.