China e Paquistão apresentam plano para acabar com guerra no Oriente Médio
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os governos da China e do Paquistão apresentaram hoje um plano de cinco pontos para acabar com a guerra no Oriente Médio, envolvendo o Irã e os EUA-Israel.
Os ministros das Relações Exteriores de ambos os países se reuniram hoje em Pequim e apresentaram a proposta de paz. As duas partes apresentaram os pontos:
Cessação imediata das hostilidades: Os dois países pedem o fim imediato dos combates e que a ajuda humanitária chegue a todas as áreas afetadas.
Início das negociações de paz o mais breve possível: As negociações de paz devem começar o quanto antes, respeitando a soberania e a segurança dos países envolvidos. Tudo deve ser resolvido pelo diálogo, sem ameaças ou uso de força.
Segurança de alvos não militares: É preciso parar ataques contra pessoas e locais civis, e respeitar as leis internacionais. Infraestruturas importantes, como energia e usinas, não devem ser atacadas.
Segurança das rotas de navegação: O Estreito de Hormuz deve ser seguro. Navios e tripulações precisam ser protegidos, com passagem livre e segura para o comércio.
Priorizar as obrigações da Carta da ONU: Os países devem seguir as regras da ONU e do direito internacional para alcançar uma paz duradoura.
Paquistão tem se apresentado como mediador do conflito. No último domingo, o país recebeu representantes da Turquia, Egito e Arábia Saudita para tentar negociar o fim da guerra. As primeiras conversas focaram em como reabrir o Estreito de Hormuz para a navegação.
Estreito de Hormuz está bloqueado pelo Irã desde o começo deste mês. A República Islâmica passou a controlar a passagem de embarcações pela rota após ser atacada pelos EUA e por Israel, em uma ação militar que resultou na morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, elogiou no último sábado os esforços de mediação do Paquistão para interromper a guerra. Em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, Pezeshkian "agradeceu ao Paquistão por seus esforços de mediação para deter a agressão contra a República Islâmica", segundo a Presidência.
EUA DIZEM QUE ESTÃO EM NEGOCIAÇÃO COM O IRÃ
Donald Trump disse que negociações atuais são sérias e que grandes progressos foram feitos. O republicano ressaltou que as conversas estão sendo realizadas com o novo regime iraniano "mais razoável", como classificou. Ele não detalhou com qual liderança de Teerã a negociação está sendo pautada.
O presidente dos EUA ameaçou explodir a infraestrutura vital iraniana. Na rede social Truth Social, Trump afirmou que caso o Irã não concorde com sua proposta para encerrar a guerra e se o Estreito de Hormuz não for liberado "imediatamente" para negócios, ele irá autorizar a explosão de todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo, da Ilha de Kharg e "possivelmente todas as usinas de dessalinização".
Ele declarou que os EUA ainda não atingiram essa infraestrutura por decisão dele. "Isso será em retaliação pelos nossos muitos soldados e outros que o Irã massacrou e matou durante os 47 anos do reinado de terror do antigo regime", publicou.
Apesar de falar em "acordo próximo", os EUA não descartam uma invasão terrestre ao Irã. O objetivo da invasão seria extrair cerca de 450 quilos de urânio do país, segundo o jornal Wall Street Journal.
Trump insiste que, para que a guerra acabe, o Irã deve abrir mão de seus estoques de urânio enriquecido. Um navio americano de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval composto por "cerca de 3.500" marinheiros e soldados do Corpo de Fuzileiros Navais, chegou à região na sexta-feira passada.
Outra área estratégica visada pelos EUA é a ilha de Kharg. A faixa de terra situada no norte do Golfo, já bombardeada pelos EUA em meados de março, abriga o maior terminal petrolífero do Irã, responsável por cerca de 90% de suas exportações de petróleo bruto.
EUA estão esperançosos de alcançar diálogos positivos com o Irã, disse o secretário de Estado, Marco Rubio. Ele afirmou que, em "caráter privado", funcionários ligados ao regime iraniano enviaram mensagens favoráveis às negociações entre os países.
IRÃ DIZ QUE PROPOSTAS DE PAZ DOS EUA SÃO 'IRREALISTAS'
O Irã classifica a proposta de Washington para finalizar a guerra entre os dois países é "fora da realidade e excessiva". O país também denunciou o aumento de militares norte-americanos na região. "O inimigo envia publicamente mensagens de negociação e diálogo, enquanto planeja secretamente uma ofensiva terrestre". Nossos homens aguardam a chegada dos soldados americanos ao terreno para atacá-los e punir de uma vez por todas seus aliados regionais", ameaçou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Teerã diz que recebeu mensagens por meio de intermediários indicando a disposição de Washington em negociar. Isso ocorreu após uma reunião dos ministros das Relações Exteriores de Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Turquia em Islamabad, no domingo, para discutir os esforços de mediação.
Mas o regime critica as propostas dos EUA. "Nossa posição é clara. Estamos sofrendo uma agressão militar. Portanto, todos os nossos esforços e forças estão concentrados em nos defender", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.
Enquanto isso, uma autoridade de segurança paquistanesa declarou que parecia improvável conversas diretas entre os EUA e o Irã nesta semana. "Estamos fazendo o possível para que isso aconteça o mais cedo possível", acrescentou a fonte em entrevista à Reuters.