EUA enviam outro porta-aviões para a guerra no Irã

Por IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Duas semanas após um incêndio ter tirado o maior porta-aviões do mundo da guerra no Oriente Médio, os Estados Unidos enviaram um novo navio do tipo para o teatro de operações contra o Irã nesta terça-feira (31).

O USS George H. W. Bush, cujo nome homenageia o presidente que travou a Guerra do Golfo contra o Iraque em 1991 e foi pai do mandatário que acabou por invadir o país árabe em 2003, deixou sua base em Norfolk, na costa leste americana. Ele carrega cerca de 90 aeronaves, entre caças, helicópteros e outros.

Sua função é substituir o USS Gerald R. Ford, maior navio de guerra do planeta, que deixou a região após ter tido diversas avarias durante um incêndio que começou na lavanderia da embarcação.

Ele já havia sofrido vários problemas, notadamente com seu sistema de saneamento básico: um aparente erro de projeto provocava entupimentos colossais em seus 600 banheiros.

O George H. W. Bush deve levar cerca de dez dias para chegar à costa de Israel no Mediterrâneo, restando saber se repetirá o caminho do Ford, que estava em operação no mar Vermelho, agora que os rebeldes houthis do Iêmen entraram discretamente na guerra.

Aliados de Teerã, os houthis passaram a lançar mísseis contra Israel, mas não ameaçaram ainda nenhum navio nas águas próximas ao seu território. De 2023 a 2025, sua campanha contra navios mercantes e militares causou caos no comércio mundial, dado o trânsito na região, elevando preços de fretes.

Agora, está na mesa nova ação no mar Vermelho e talvez o fechamento do estreito de Bab al-Mandab, no sul da região. Se isso ocorrer, a via alternativa para o petróleo da Arábia Saudita para mercados asiáticos estará sob risco.

É essa a realidade que espera o George H. W. Bush, um navio da classe Nimitz, anterior à do Ford e igual à do USS Abraham Lincoln, o único porta-aviões americano que permaneceu na região conflagrada.

Ele foi posicionado para poder atacar o Irã com seus caças, mas longe dos cerca de 700 km de alcance máximo dos mísseis antinavio da teocracia, margeando a costa sul de Omã.

O incêndio no Ford fez com que a Marinha o levasse para uma base na Grécia para reparos. Após uma semana, os reparos iniciais foram concluídos, mas o navio foi então deslocado para Split, na Croácia, para manutenção adicional.

Tudo indica que a guerra pode ter acabado para ele, para alívio dos marinheiros, que já somam quase dez meses no mar ?o normal é seis, o que levou a especulações acerca da origem do incêndio. O navio estava no Mediterrâneo quando foi chamado para a operação que derrubou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro, só para fazer o caminho de volta.

Enquanto as peças navais se movem, os EUA também deram mais um sinal de que têm em mente opções para ações terrestres, ainda que limitadas, contra o Irã.

Depois do envio de dois grupos com 5.000 fuzileiros navais, mais paraquedistas, nesta segunda (30) foram mandados cerca de 20 aviões de ataque A-10 Warthog para a guerra.

Eles chegaram ao Reino Unido, de onde voarão para bases no Oriente Médio. O A-10 é especializado em ataques a baixa altitude, apoiando a ação de tropas. São aviões robustos, blindados, que estão no fim de sua vida operacional e já são usados de forma reduzida no conflito.