Antes de pronunciamento, Trump diz que Irã pediu trégua e que EUA vão 'sair bem rápido' da guerra
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na manhã desta quarta-feira (1º) que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra. Segundo o republicano, a proposta será analisada apenas quando o estreito de Hormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito, for reaberto por Teerã.
O anúncio de Trump, feito em um post na rede social Truth, ocorre horas antes de um pronunciamento à nação, marcado para as 22h (hora de Brasília), em que irá comentar a guerra. O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que a declaração do americano é falsa e sem fundamento, segundo a TV estatal.
"O novo presidente do regime do Irã, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que seus antecessores, acabou de pedir aos Estados Unidos da América um CESSAR-FOGO!", escreveu Trump, embora não tenha deixado claro a quem se referia ?o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, está no cargo desde 2024.
"Vamos considerar isso quando o estreito de Hormuz estiver aberto, livre e desobstruído", completou Trump. A via marítima é um dos mais importantes canais de escoamento de petróleo, e seu bloqueio elevou o preço do combustível mundialmente.
Em entrevista à Reuters nesta quarta, Trump afirmou ainda que os EUA sairão do Irã "muito rapidamente" e poderiam retornar para "ataques pontuais" se necessário, sugerindo que pode proclamar alguma vitória após o assassinato de líderes em Teerã e a destruição de armamentos iranianos e suspender a mobilização de tropas para a região.
Os EUA contam com cerca de 50 mil militares no Oriente Médio, 10 mil deles enviados nos últimos dias para se juntar às tropas usualmente posicionadas em bases na região, alvos preferenciais do Irã desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro.
Trump também disse que pretende expressar sua insatisfação com a Otan durante seu pronunciamento e que considera retirar os EUA da aliança militar devido à falta de apoio do grupo ao conflito no Oriente Médio.
Questionado pela agência Reuters sobre quando os EUA considerariam a guerra no Irã encerrada, Trump respondeu: "Não posso dizer exatamente... vamos sair bem rapidamente. Eles [Irã] não terão uma arma nuclear porque agora são incapazes disso, e então eu vou sair, levarei todos comigo, e, se for preciso, voltaremos para realizar ataques pontuais", acrescentou.
Na véspera, Trump disse que os EUA podem encerrar seus ataques militares contra Teerã dentro de duas a três semanas e que o país persa não precisa chegar a um acordo como pré-requisito para que o conflito seja encerrado. Agora, a Casa Branca informou que Trump fará "uma importante atualização" durante o pronunciamento desta quarta.
A guerra começou com ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que retaliou imediatamente o Estado judeu e bases americanas em países árabes da região, expandindo o conflito e, depois, bloqueando a passagem de navios pelo estratégico estreito de Hormuz.
Inicialmente, Trump afirmou que a operação duraria de quatro a seis semanas. Em meio às incertezas sobre eventuais negociações para o fim do conflito e posicionamentos contraditórios de Washington, a tensão continua com ataques de lado a lado.
Israel lançou mais uma ofensiva contra a capital do Irã nesta quarta, levando Teerã a revidar contra o rival e a disparar mísseis contra países do Golfo. Um projétil atingiu um navio de petróleo no litoral do Qatar.
A TV estatal iraniana relatou que explosões foram ouvidas nas áreas norte, leste e central de Teerã nas primeiras horas desta quarta. O Exército de Israel confirmou que realizou uma "onda de ataques em larga escala" contra a cidade. A ofensiva teria danificado vários complexos siderúrgicos em outras localidades do país, segundo a mídia estatal.
A República Islâmica revidou, e as forças israelenses confirmaram que lançaram uma operação para interceptar mísseis lançados contra Tel Aviv e a cidade religiosa de Bnei Brak. Segundo serviços de emergência, 14 pessoas ficaram feridas, entre elas uma menina de 11 anos em estado grave. Os mísseis, ainda de acordo com autoridades, carregavam bombas de fragmentação.
O Exército também afirmou ter detectado o lançamento de um míssil vindo do Iêmen, depois reivindicado pelos rebeldes houthis, aliados do Irã que entraram no conflito nos últimos dias.
Já Kuwait e Bahrein relataram incêndios em um aeroporto e em instalações empresariais, respectivamente, após ataques atribuídos a Teerã. Já nos Emirados Árabes Unidos, um cidadão de Bangladesh morreu após ser atingido por estilhaços durante a interceptação de drones.
No Líbano, autoridades afirmaram que sete pessoas morreram vítimas de uma ofensiva durante a noite. O país foi arrastado para a guerra em 2 de março, após o Hezbollah lançar mísseis contra Israel em apoio a Teerã.
O Exército israelense afirmou ter matado um comandante e um dirigente de alto escalão do grupo extremista na região de Beirute. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o país pretende manter tropas em partes do sul do Líbano após o fim da guerra, ocupando militarmente o território.
Em meio à paralisação do estreito de Hormuz, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou que realizará ainda nesta semana uma reunião com cerca de 35 países para discutir como reabrir a via marítima.
Hormuz, por onde escoa 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, está praticamente fechado desde o início do conflito, causando uma disparada no preço do combustível mundialmente. Agora, Teerã quer impor uma espécie de pedágio para navios que voltem a passar pela rota marítima, enquanto ainda mantém o veto a embarcações americanas e israelenses.
Segundo Starmer, o encontro reunirá representantes de governos que recentemente assinaram uma declaração afirmando estar prontos "para contribuir com esforços apropriados para garantir a passagem segura" pela via marítima. França, Alemanha, Itália, Japão e Holanda estão entre os signatários.
Na terça, Trump disse que países que não ajudaram os EUA na guerra contra o Irã deveriam comprar petróleo americano ou ir ao estreito de Hormuz e pegar o óleo por conta própria. O americano citou Reino Unido e França, também membros da Otan, como pouco colaborativos no conflito. Trump vem criticando cada vez mais a aliança militar.
Segundo reportagem do jornal Wall Street Journal, autoridades dos Emirados Árabes Unidos afirmaram que o país estria se se preparando para ajudar Washington e outros aliados a abrir o estreiro pela força.
Se concretizado, eles seriam o primeiro país do Golfo a entrar em embate com o Irã. Ainda segundo a publicação, os Emirados estão pressionando por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que autorizaria tal ação. Diplomatas do país têm instado os EUA, além de países da Europa e da Ásia a formar uma coalizão para abrir o estreito pela força.