Rubio diz que ataque dos EUA mirou 'escudo' de mísseis do Irã
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou hoje que o ataque ao Irã ocorreu porque o país buscava criar condições para avançar com um programa nuclear protegido por um "escudo" de mísseis e drones. Teerã, porém, nega que tenha essa intenção.
Rubio disse que muitos americanos questionam por que os Estados Unidos decidiram atacar o Irã agora. Em uma declaração, ele justificou dizendo que o Irã quer ter armas nucleares, mas finge investir em energia. Para o secretário de Trump, se fosse realmente isso, o governo iraniano "poderia importar combustível e manter reatores acima do solo."
O secretário de Estado afirmou que o Irã constrói instalações "nas profundezas das montanhas". Para ele, esta é mais uma evidência de que o regime deseja esconder suas reais intenções.
"Eles constroem seus reatores e suas instalações nas profundezas das montanhas, longe do olhar público. E eles querem enriquecer esse material. O mesmo equipamento que eles poderiam usar para enriquecer material para energia, eles poderiam usar para enriquecê-lo rapidamente para o nível de armas", disse Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, em vídeo publicado no X.
Rubio afirmou que o Irã teve "todas as oportunidades" de manter um programa nuclear voltado à energia, e não a armas. Segundo ele, essas alternativas foram recusadas repetidamente pelo país.
Além disso, ele diz que o Irã buscava ampliar sua capacidade convencional de mísseis e drones, em um projeto que impediria ações futuras contra o programa nuclear. "O Irã estava tentando construir um escudo convencional, em essência ter tantos mísseis, ter tantos drones, que ninguém pudesse atacá-los. E eles estavam bem no caminho", diz.
"Estávamos à beira de um Irã que tinha tantos mísseis e tantos drones que ninguém poderia fazer nada a respeito de seu programa de armas nucleares no futuro. Esse era um risco intolerável. (...) Sob nenhuma circunstância eles podem ter permissão para esconder e proteger esse programa e suas ambições atrás de um escudo de mísseis e drones sobre o qual ninguém pode fazer nada", disse Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
'ÚLTIMA E MELHOR CHANCE', DIZ RUBIO
O secretário de Estado afirmou que essa foi "última e melhor chance" dos EUA. Por isso, o presidente Donald Trump "tomou a decisão certa de eliminá-lo agora."
Segundo Rubio, o ataque possibilita forçar negociações contra as armas nucleares. "Esse é o objetivo desta operação: destruir seus mísseis convencionais e seu programa de drones para que eles não possam se esconder atrás deles e, finalmente, tenham que lidar com o mundo seriamente sobre nunca, jamais ter armas nucleares", afirmou.
LÍDER SUPREMO PROIBIU ARMAS NUCLEARES, DISSE PRESIDENTE
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, nega que Teerã queira adquirir armas nucleares. A declaração foi feita em fevereiro, dias antes do primeiro ataque coordenado de EUA e Israel ao Irã.
Segundo ele, a determinação partiu do líder supremo à época, o aiatolá Ali Khamenei: "já declarou que o país não terá armas nucleares de forma alguma", por uma questão doutrinária. Khamenei proibiu o desenvolvimento desse tipo de armamento em uma fatwa, um decreto religioso, emitido no início dos anos 2000.