Cuba anuncia libertação de 2.010 prisioneiros

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cuba anunciou nesta quinta-feira (2) a libertação de 2.010 prisioneiros das cadeias da ilha, segundo a mídia estatal. Esta é a segunda vez este ano que o país anuncia uma anistia para presos, em meio às negociações em curso com os Estados Unidos.

O jornal estatal cubano Granma classificou a decisão de um "gesto humanitário e soberano", que é resultado "de uma análise criteriosa da natureza dos crimes cometidos pelos detentos, de sua boa conduta na prisão, do fato de terem cumprido uma parte significativa de suas penas e de seu estado de saúde".

O veículo ainda detalhou presos que não serão contemplados com a medida, que vão de condenados por agressão sexual e abuso, a homicídio, crimes relacionados a drogas e outros delitos violentos. Pessoas com reincidência ou que já tenham recebido indultos também não poderão ser contempladas.

Há cerca de duas semanas, o regime cubano havia anunciado a libertação de 51 prisioneiros, como demonstração de "boa vontade" em relação ao Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington.

As medidas ocorrem em meio a tensões renovadas entre Cuba e EUA. Washington aplica um embargo petroleiro contra a ilha comunista, e o presidente Donald Trump multiplica as declarações ofensivas contra o país.

"No espírito de boa vontade, de relações estreitas e fluidas entre o Estado cubano e o Vaticano, Cuba decidiu libertar nos próximos dias 51 pessoas condenadas à privação de liberdade", afirmou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores sobre a primeira libertação.

A nota daquele momento detalhou que se tratavam de prisioneiros que cumpriram "uma parte significativa da pena" e "mantiveram bom comportamento".

Segundo a ONG 11J, que registra detenções em Cuba desde as manifestações de 11 de julho de 2021, quando milhares de pessoas saíram às ruas gritando "liberdade" e "abaixo a ditadura", há no país pelo menos 760 presos "por razões políticas".

A organização afirmou que "358 foram encarceradas por participar dos protestos" naquela data e, após o anúncio governamental, exigiu a "libertação plena e incondicional de todas as pessoas encarceradas por motivos políticos" como a "única solução compatível com os direitos humanos" em Cuba.

A Igreja Católica atua há décadas como mediadora e canal de diálogo entre Cuba e EUA e teve papel fundamental no degelo das relações diplomáticas entre os dois países em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama (2013-2017).

Em 28 de fevereiro, durante uma turnê diplomática pela Europa, o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, foi recebido em audiência pelo papa Leão 14.

Uma semana antes, o secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher, havia se reunido com dois diplomatas americanos, o encarregado de negócios em Havana, Mike Hammer, e o embaixador no Vaticano, Brian Burh, para falar sobre a situação em Cuba.

A última mediação da Igreja Católica remonta a 2025. Em janeiro daquele ano, o regime cubano se comprometeu a libertar 553 presos, por um acordo prévio com o Vaticano e após o ex-presidente Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista de "Estados patrocinadores do terrorismo".

Essa medida foi revogada alguns dias depois por Donald Trump, em sua chegada à Casa Branca.