Conselho de Segurança da ONU avalia operação militar em Hormuz, e Irã alerta contra 'ação provocativa'

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Conselho de Segurança da ONU avalia votar uma resolução proposta pelo Bahrein para permitir o uso da força para proteger a navegação comercial no estreito de Hormuz. A via marítima está bloqueada pelo Irã desde o início da guerra com Estados Unidos e Israel.

A movimentação levou a República Islâmica a alertar o órgão internacional. "Qualquer ação provocadora por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU em relação à situação no estreito de Hormuz, só complicará a situação", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, nesta sexta-feira (3).

A reunião estava inicialmente prevista para esta sexta-feira. Segundo diplomatas, a votação foi remarcada para sábado (4), já que sexta é feriado na ONU.

O texto proposto pelo Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança, autorizaria "todos os meios defensivos necessários" em Hormuz para proteger o transporte comercial. A via marítima é a principal rota de navios-tanque de petróleo do mundo.

Bahrein, com apoio de outras nações do Golfo e de Washington, já havia retirado uma referência explícita à aplicação obrigatória da resolução, em uma tentativa de contornar objeções de membros como Rússia e China, que têm poder de veto.

O texto prevê a aplicação das medidas por pelo menos seis meses.

Em declarações ao Conselho de Segurança na manhã de quinta-feira (3), o enviado da China, Fu Cong, se opôs à medida. O embaixador afirmou que o texto "legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força, o que inevitavelmente levaria a uma maior escalada da situação e resultaria em consequências graves".

Uma resolução do Conselho de Segurança exige pelo menos nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros permanentes: Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos.

Em paralelo, um navio porta-contêineres da francesa CMA CGM atravessou o estreito, segundo dados da MarineTraffic, em sinal de que o Irã pode não tratar a França como um país hostil.

O Kribi, de bandeira maltesa, fez a travessia em 2 de abril. É o primeiro navio de uma empresa francesa a passar pelo estreito desde o início dos ataques de EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Não está claro como o navio, que segue ao sul pela costa de Omã, obteve autorização para cruzar a área.

No entanto, dados de transporte da LSEG mostraram que, na quinta-feira (2), o navio alterou seu destino para "Owner France" ("Proprietário: França"), sinalizando às autoridades iranianas a nacionalidade de seu proprietário, antes de cruzar as águas territoriais do Irã no estreito. O navio tinha originalmente como destino a República do Congo.

Na quinta-feira, o Reino Unido sediou uma reunião com mais de 40 países sobre esforços para garantir a passagem segura pelo estreito. Na quarta (1º), Japão e França já haviam concordado em coordenar esforços para pressionar pelo fim do conflito e para garantir a reabertura da rota marítima.

Com o conflito no Oriente Médio em sua quinta semana, países enfrentam custos crescentes de energia. A menos que o estreito de Hormuz seja reaberto, podem ocorrer escassez de derivados de petróleo

Ainda na quarta, o Financial Times relatou que a Casa Branca ameaçou interromper o fornecimento de armas à Ucrânia para pressionar aliados europeus a integrar uma coalizão destinada a reabrir o estreito de Hormuz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu que as marinhas da Otan ajudassem a liberar a passagem em março, mas foi rejeitado pelas capitais europeias, que consideraram arriscado se envolver diretamente no conflito.