EUA e Irã continuam em busca de tripulante desaparecido após derrubada de jato americano
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Irã e os Estados Unidos continuam neste sábado (4) em busca de um dos tripulantes do caça americano que foi abatido pelas forças iranianas em meio à guerra entre os dois países. Segundo relatos de autoridades do governo feitos à imprensa americana, um tripulante foi resgatado na própria sexta (3), enquanto o outro segue desaparecido em território iraniano.
Os EUA não contestaram que a causa da queda tenha sido a artilharia iraniana. O Pentágono não comentou o incidente e, em breve entrevista por telefone com a rede de televisão NBC News, Donald Trump afirmou que ele não afeta negociações com Teerã.
As intensas buscas levantaram preocupações de que o militar, caso capturado pela República Islâmica, seja usado como forma de pressão contra Washington. O regime ofereceu uma recompensa para quem o encontrasse.
Não há confirmação oficial do governo dos EUA sobre o modelo da aeronave abatida. Inicialmente, a mídia estatal do Irã anunciou ter derrubado um caça F-35, mas relatos posteriores na imprensa americana citam o modelo F-15E, que transporta dois tripulantes.
Segundo relatos feitos à imprensa, um dos dois pilotos ejetou-se em pleno voo e foi resgatado pelas forças americanas. O paradeiro do segundo ainda é desconhecido. A emissora CBS News afirmou que verificou imagens publicadas nas redes sociais que mostram um avião de reabastecimento e dois helicópteros voando baixo sobre a província de Cuzistão, no Irã, compatível com uma missão de busca e resgate.
Israel não informou publicamente o que estaria realizando para ajudar a localizar o militar americano. Um militar israelense, falando sob anonimato ao The New York Times, disse que o Exército de Israel suspendeu ataques na área onde se acredita que ele tenha caído e está compartilhando informações de inteligência. Ainda de acordo com relatos de oficiais americanos feitos ao jornal, um dos helicópteros usados nas buscas foi atingido por tiros, mas conseguiu escapar em segurança.
Há ainda a possibilidade de que dois aviões tenham sido abatidos na sexta-feira. De acordo com o New York Times, um caça A-10 Warthog foi atingido perto do estreito de Hormuz, segundo fontes militares, mas o único piloto foi resgatado são e salvo. O regime iraniano reivindicou o ataque.
Segundo agências de notícias estatais iranianas, o primeiro caça foi atingido no centro do país e poderia ter caído na província de Kohgiluyeh e Boyer Ahmad. Uma emissora exibiu imagens do que seriam os destroços do avião abatido.
O Exército do Irã também iniciou uma operação de busca, e uma autoridade local do regime afirmou que quem capturasse ou matasse a tripulação "seria especialmente recompensado". A nota divulgada pela agência de notícias iraniana Fars pedia aos moradores que se unissem às operações para localizar os americanos.
Essa é a primeira vez desde 2003 que um avião de combate dos EUA é abatido em solo inimigo. No início da guerra do Iraque, um A-10A Thunderbolt 2 caiu após ser atingido por um míssil das forças de Saddam Hussein. Em 2020, no entanto, quando um avião americano caiu no Afeganistão, o Talibã afirmou ter derrubado a aeronave -algo rejeitado pelo governo do democrata Joe Biden à época.
O incidente ocorre após ameaças de Trump de bombardear o país de volta à "Idade da Pedra", enquanto pressiona Teerã a encerrar a guerra nos termos dos EUA. O ataque às aeronaves acontece ainda depois de o presidente americano e membros do alto escalão do governo debocharem da capacidade militar iraniana.
No dia 4 de março, ainda na primeira semana da guerra, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os EUA e Israel tinham "controle total do espaço aéreo" do Irã.