Hamas condiciona seu desarmamento à saída de Israel do território de Gaza
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O braço armado do Hamas afirmou neste domingo (5) que discutir o desarmamento do grupo antes que Israel implemente integralmente a primeira fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, mediado pelos Estados Unidos, é uma tentativa de continuar o que chamou de genocídio contra o povo palestino.
Em um pronunciamento televisionado, o porta-voz do grupo terrorista, Abu Ubaida, disse que levantar a questão das armas "de maneira grosseira" não será aceito.
A questão da entrega das armas pelo Hamas é um grande obstáculo nas negociações para implementar o plano do Conselho de Paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para Gaza, que visa consolidar o cessar-fogo que interrompeu dois anos de combates em grande escala em outubro passado.
O Hamas disse aos mediadores que não discutirá o desarmamento sem garantias de que Israel deixará Gaza completamente, disseram três pessoas próximas às negociações à agência Reuters na semana passada.
"O que o inimigo está tentando impor hoje contra a resistência palestina, por meio de nossos mediadores irmãos, é extremamente perigoso", disse Ubaida.
O porta-voz ainda afirmou que as exigências de desarmamento "nada mais são do que uma tentativa flagrante de continuar o genocídio contra o nosso povo, algo que não aceitaremos sob nenhuma circunstância".
Não ficou imediatamente evidente se os comentários representam uma rejeição formal do plano de desarmamento apoiado pelos EUA, e autoridades políticas do Hamas não responderam aos pedidos de comentários.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, o Hamas e Israel têm se acusado repetidamente de violar seus termos. Abu Ubaida instou os mediadores a pressionarem Israel para que cumpra seus compromissos na primeira fase do plano de Trump antes que qualquer discussão sobre a segunda fase possa ocorrer.
"O inimigo é quem mina o acordo", disse ele. Não houve comentários imediatos de Israel sobre as declarações.
Ainda neste domingo, um ataque de Israel contra um grupo de civis matou quatro pessoas e deixou outras feridas em Gaza, segundo a Defesa Civil e um hospital do território palestino.
A operação ocorreu antes do amanhecer em um bairro do leste da Cidade de Gaza, maior zona urbana do território, segundo a Defesa Civil, que funciona como força de resgate sob comando do Hamas. "Um ataque aéreo israelense antes do amanhecer matou quatro pessoas e feriu várias", informou.
O hospital Al Shifa de Gaza confirmou o balanço e afirmou que o ataque foi realizado por um drone israelense. "Quatro mártires e cinco feridos chegaram ao hospital esta manhã, depois que um drone israelense disparou dois mísseis contra um grupo de civis", afirmou o hospital.
O Exército israelense disse, em nota, ter identificado uma "célula terrorista" que constituía uma "ameaça imediata" e que por isso, realizou "um ataque seletivo a fim de eliminar a ameaça".
Apesar do cessar-fogo, Israel tem feito ataques em toda Gaza, matando pelo menos 715 pessoas desde que a trégua entrou em vigor, em 10 de outubro, segundo o Ministério da Saúde do território, que também opera sob a autoridade do Hamas. As Nações Unidas consideram que os números do ministério são confiáveis. Do outro lado, Tel Aviv afirma que cinco de seus soldados morreram desde o início da trégua.
A guerra entre o Hamas e Israel em Gaza eclodiu depois que homens liderados pelo grupo realizaram ataques transfronteiriços contra o sul do país, provocando uma ofensiva israelense devastadora que deslocou grande parte da população de Gaza e deixou o território em ruínas, com mais de 70 mil mortos.