Chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã é morto em ataque
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, Majid Khademi, foi morto na tarde deste domingo (05), confirmaram as autoridades iranianas.
Detalhes da morte do general não foram divulgados pela guarda, que confirmou somente que ele foi vítima de um ataque de Israel. A confirmação foi dada no canal do telegram da Guarda Revolucionária hoje.
Militar foi morto durante ataques aéreos em Teerã, segundo as Forças de Defesa de Israel. Ao menos 25 pessoas morreram durante os bombardeios em Teerã hoje, segundo agências de notícia locais.
Israel clamou responsabilidade pelo ataque e disse que matou outro membro do alto escalão militar iraniano. Segundo as IDF, além de Khademi, Yazdan Mir, conhecido pelo nome de Sardar Bagheri, também morreu no ataque de ontem. Ele era chefe de uma unidade da Guarda Revolucionária no Paquistão.
Khademi tinha assumido o cargo em junho de 2025, quatro dias após a morte do seu antecessor. Ele ocupou o lugar de Mohammad Kazemi, morto em um ataque israelense em 15 de junho.
Morte do chefe de inteligência acontece menos de uma semana após líder da Marinha do Irã ser morto. Alireza Tangsiri, apontado como responsável pelo fechamento do Estreito de Hormuz, também foi vítima de um ataque israelense.
O chefe de inteligência da guarda é mais um entre os líderes iranianos assassinados desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro. Entre as mortes confirmadas pelo país desde o começo da guerra estão o líder supremo Ali Khamenei e o chefe do Conselho de Segurança do país, Ali Larijani.
ULTIMATO DOS EUA
Os ataques deste domingo e desta segunda (06) acontecem pouco após o presidente dos EUA, Donald Trump, dar um ultimato para o Irã abrir Hormuz. O presidente norte-americano declarou que vai coordenar ataques contra a infraestrutura iraniana se a rota não for liberada até a próxima terça-feira (7).
O porta-voz da presidência do Irã chamou Trump de "estúpido desgraçado". Seyyed Mehdi Tabatabaei disse que o norte-americano recorreu a obscenidades por desespero e raiva. "O estúpido desgraçado iniciou uma guerra em grande escala na região e ainda se vangloria disso", afirmou.
Ao mesmo tempo, Irã e Omã discutem reabertura "tranquila e segura" do Estreito de Hormuz. Após o ultimato de Trump, autoridades dos países se reuniram para avaliar opções de liberação da rota marítima. O ministro das Relações Exteriores de Omã afirmou que cada nação apresentou "perspectivas e propostas" para garantir o fluxo das embarcações.
A ONU também repudiou as ameaças de Trump contra o Irã. A organização afirmou que o presidente busca arrastar a região para uma guerra sem fim e que a postura é uma incitação direta ao terror contra civis.
A entidade classificou a fala como evidência de intenção de cometer "crimes de guerra". "Se a consciência das Nações Unidas estivesse viva, não permaneceria em silêncio diante da ameaça flagrante e descarada do belicista presidente dos Estados Unidos de atacar infraestruturas civis", escreveu a ONU no X.
A organização cobrou intervenção da comunidade internacional. O alerta destaca que todas as nações têm a obrigação legal de prevenir o mundo de crimes de guerra. "Devem agir agora. Amanhã será tarde demais", completou o comunicado.