Irã chama cessar-fogo de vitória e diz que vai reabrir Hormuz por duas semanas

Por GUILHERME BOTACINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Poucos minutos após Donald Trump anunciar um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, autoridades da República Islâmica deram sua versão do resultado das negociações na noite desta terça-feira (7), que promete ao menos reduzir a tensão global após ameaças do presidente dos Estados Unidos de destruir completamente o país persa.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, publicou uma nota em seu perfil no X afirmando "em nome do Supremo Conselho de Segurança Nacional" que "se os ataques contra o Irã pararem, nossas poderosas Forças Armadas vão parar suas operações defensivas".

"Pelo período de duas semanas, passagem segura pelo estreito de Hormuz será possível, em coordenação com as Forças Armadas do Irã e considerando limitações técnicas", afirmou em nota.

Outro tom adotou o próprio Conselho de Segurança Nacional, em nota divulgada pela agência Tasnim, associada à Guarda Revolucionária. "O inimigo sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora em sua guerra covarde, ilegal e criminosa contra a nação iraniana", começa o comunicado, que depois lista uma série de pontos até o momento de difícil análise independente.

O comunicado do Conselho fala em suspensão de sanções, pagamento de indenizações e o fim do conflito em outras frentes, como no Líbano, cujo sul do país voltou a ser ocupado por Israel, que por sua vez bombardeia a capital e outras áreas do vizinho ao norte. Nenhum desses improváveis pontos, contudo, foi citado até o momento por Trump ou por Araghchi.

O que parece se repetir entre as duas notas iranianas e o comunicado de Trump sobre a trégua é que há uma proposta de dez pontos de Teerã recebida por Washington, que por sua vez também compartilhou sua versão de proposta, com 15 pontos. Os detalhes permanecem pouco claros.

Também se repete um compromisso condicionado das duas partes quanto à vital via marítima, bloqueada desde o início do conflito pelo Irã. Ambos falam em liberação do estreito de Hormuz, embora cada lado cantando vitória em seus termos.

O gargalo marítimo se transformou no grande problema de Trump depois que os EUA e Israel atacaram o Irã e, em resposta, a República Islâmica passou a atacar navios no estreito de Hormuz. Na prática, a reação estancou quase 100% do tráfego de navios entrando e saindo do golfo Pérsico, região fundamental particularmente para os mercados energéticos, com impactos em todo planeta.

Com essa vantagem estratégica e uma guerra expandida aos países árabes do Golfo, aliados dos EUA, Teerã manteve a ofensiva com mísseis e drones também em instalações do setor de energia na região, usinas de dessalinização e, principalmente, bases americanas nesses países.

Mais cedo nesta terça, Trump havia dito que "uma civilização inteira" morreria neste dia, que foi o prazo dado pelo republicano para que as partes entrassem em acordo. Se foi parte de sua estratégia de negociação ou um reconhecimento de que a resiliência iraniana seria intransponível sem uma invasão terrestre, o cenário só ficará mais claro com os detalhes da proposta de cessar-fogo e a manutenção da trégua nessas duas semanas.