Refinaria de petróleo do Irã diz que foi atacada mesmo após cessar-fogo
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma refinaria de petróleo do Irã teria sido alvo de um ataque após o anúncio de um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Teerã, informou a Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo nesta quarta-feira (8).
Instalações da refinaria na ilha de Lavan foram atingidas às 10h no horário local (3h30, no horário de Brasília), segundo a companhia. Bombeiros foram acionados e trabalham na contenção das chamas no local, segundo a agência de notícias estatal Shana.
Não há registro de feridos, mas vídeos divulgados nas redes sociais mostram colunas de fumaça no local do suposto ataque. A ilha de Lavan fica a pouco mais de 13 quilômetros do continente.
Do outro lado, o Kuwait também informou que foi atacado por drones iranianos após o cessar-fogo. Segundo o Ministério da Defesa do país, 28 drones foram interceptados desde a manhã de hoje e "um grande número desses drones hostis" foi abatido.
Alguns dos drones teriam furado o esquema de segurança e atingido infraestruturas civis no sul do Kuwait. A Defesa informou que "dano material significativo" foi registrado em usinas de energia e de dessalinização de água.
Apesar do anúncio do acordo, o cenário no Oriente Médio ainda é instável e contraditório. Israel confirmou que pararia de atacar o Irã, mas disse que seguiria com a ofensiva no Líbano.
O Kuwait, que tem instalações militares dos Estados Unidos, foi alvo de uma série de ataques ao longo das semanas de conflito. O aeroporto e um petroleiro com bandeira do país estão entre os alvos do Irã desde o começo da guerra.
CESSAR-FOGO FOI ANUNCIADO NESTA TERÇA-FEIRA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (7) um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Os ataques foram suspensos por duas semanas e a trégua começou imediatamente, informou ele em publicação na Truth Social
A declaração de cessar-fogo ocorreu após pedido do primeiro-ministro do Paqustão, Shehbaz Sharif, que intermediava as conversas. O primeiro-ministro solicitou uma trégua de duas semanas na guerra no Oriente Médio.
O Irã também aceitou a proposta apresentada pelo Paquistão. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou o comunicado em que afirma que o plano com 10 pontos do país persa "enfatiza questões fundamentais", como a "passagem regulamentada pelo Estreito de Hormuz sob a coordenação das Forças Armadas do Irã".
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país aceita a trégua, mas impôs condições. Ele pediu que os ataques contra o território iraniano fossem interrompidos. O país ordenou, ainda, a cobrança de taxas de embarcações que transitarem pelo Estreito de Hormuz por parte de Irã e de Omã. Se confirmada, a cobrança seria inédita, já que a região sempre foi tratada como uma via internacional livre.
Do lado de Israel, a adesão ao cessar-fogo também veio acompanhada de ressalvas. Segundo as autoridades israelenses, os Estados Unidos coordenaram previamente os termos do compromisso com o governo de Benjamin Netanyahu. A expectativa é que, nas próximas negociações, Washington mantenha exigências duras contra o Irã, incluindo o fim do programa nuclear e de mísseis balísticos.