Por que o Paquistão virou mediador do conflito entre Irã e EUA?

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma reunião marcada para sexta-feira, em Islamabad, coloca o Paquistão no centro das conversas sobre um possível fim da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Paquistão diz que vai sediar uma reunião entre EUA e Irã na sexta-feira, em Islamabad. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que os dois países vão se reunir no país para negociar o fim definitivo da guerra, mas nenhum deles confirmou a participação até agora.

Paquistão virou um canal de conversa porque mantém linhas abertas com os dois lados. O país é um dos poucos governos que conseguem dialogar tanto com Washington quanto com Teerã, o que dá a Islamabad condições de atuar como mediador, aponta reportagem da RFI.

Fronteira de 990 km com o Irã faz o Paquistão tratar a escalada como risco direto. A proximidade geográfica aumenta a pressão para reduzir tensões, num cenário em que o conflito pode transbordar para a região.

Impacto econômico da crise pesa na decisão de tentar frear a guerra. Em entrevista à RFI, o pesquisador Jean-Luc Racine disse que o Paquistão enfrenta dificuldades econômicas agravadas pelo fechamento do Estreito de Hormuz e que o país anunciou recentemente medidas de austeridade.

Equilíbrio com a Arábia Saudita também entra na conta de Islamabad. Racine afirmou à RFI que um conflito aberto entre Irã e Arábia Saudita não seria vantajoso para o Paquistão, que assinou há alguns meses um acordo de defesa com os sauditas e poderia ser pressionado a apoiar Riade em caso de guerra.

Assumir a mediação também amplia a projeção diplomática do Paquistão. O mesmo pesquisador avalia que o papel de intermediador fortalece a presença do país no tabuleiro regional.

Shehbaz Sharif disse que o Irã aceitou a oferta de sediar negociações de paz em Islamabad ainda nesta semana. Em publicação no X, ele afirmou ter agradecido à liderança iraniana por aceitar a proposta paquistanesa de receber as conversas.

O plano de reunião vem após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas, intermediado pelo Paquistão, segundo o próprio governo paquistanês. Sharif disse que pediu a trégua e que o cessar-fogo anunciado ocorreu depois de EUA e Irã assinarem uma proposta apresentada pelo Paquistão.