Iranianos veem cessar-fogo com otimismo cauteloso, e israelenses se dividem

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cessar-fogo de duas semanas estabelecido entre Estados Unidos, Israel e o Irã nesta terça-feira (7) trouxe alívio para iranianos e encontrou reações divididas entre israelenses.

Moradores de Teerã ouvidos pela agência de notícias Reuters nesta quarta-feira (8) demonstram um otimismo cauteloso em relação à pausa nas agressões. "Eu ouvi nesta manhã que nossas condições foram aceitas e um cessar-fogo declarado. Fiquei genuinamente feliz do fundo do meu coração", afirmou Hados Khosravi.

"Espero que isso possa abrir caminho para a vitória, levantar as sanções injustas e permitir que os iranianos ?depois de todos esses anos? possam viver como outros e simplesmente respirar", completou.

Outro homem, identificado apenas como Arjmand, afirmou que os americanos e israelenses "foram forçados a aceitar nossos termos pela resiliência que nosso povo mostrou". "Agora, nós somos reconhecidos como uma potência no mundo", disse.

Já em Tel Aviv, em Israel, residentes divergiram sobre o cessar-fogo. "Nós precisamos terminar o serviço. Se Trump der outro passo, o que ele quiser [bombardear], todas as pontes, as fábricas, a eletricidade. Aí sim tudo estará destruído", afirmou à Reuters o empresário Dror Shafir.

Já Yoav Orel, 63, se disse feliz com a pausa nos ataques. "Espero que dure mais do que duas semanas e que consigamos a paz. Eu não posso dizer que tenho certeza de que isso vai acontecer porque é difícil confiar nos líderes", ponderou.

"Todo dia é uma surpresa e, infelizmente, nos últimos anos, têm sido surpresas ruins. Mas espero que todos os líderes recobrem o juízo e venha a paz, porque nós já não aguentamos mais. E tenho certeza que nossos vizinhos também não aguentam mais", afirmou.

O cessar-fogo foi anunciado na noite de terça, próximo à data de expiração do ultimato dado por Trump para a reabertura do estreito de Hormuz, o canal de tráfego marítimo fechado pelo Irã desde o início da guerra em fevereiro.

O presidente americano acabou aceitando uma proposta do Paquistão para um cessar-fogo do conflito, após ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã e dizer que "uma civilização inteira" morreria naquela noite.

Em postagem na rede Truth Social, Trump disse que sua decisão se baseou no compromisso de que o Irã reabra o estreito durante a trégua ?o que Teerã cumpriu, até o momento.

O acordo, porém, é frágil. Horas após o anúncio do cessar-fogo, Israel ignorou parte da trégua e direcionou esforços militares ao Líbano. Segundo o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, Tel Aviv lançou a maior ofensiva contra o país vizinho desde o início do conflito. O saldo, segundo o governo local, é de dezenas de mortos e feridos. Teerã ameaça abandonar o acordo da véspera caso os ataques ao território libanês não sejam interrompidos.

O Líbano foi arrastado para o conflito após o grupo Hezbollah, aliado da teocracia iraniana, ter atacado o Estado judeu dias depois do início da guerra, em 28 de fevereiro. Israel revidou e hoje ocupa militarmente o sul do território.