Trump cita Hezbollah e diz que Líbano está fora do acordo de cessar-fogo

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (8) que o Líbano não está incluído no acordo de trégua entre Estados Unidos e Irã, anunciado na noite de ontem. Bombardeios israelenses deixaram dezenas de mortos no país hoje.

Segundo o republicano, a presença do Hezbollah no país foi o que fez com que o Líbano não fosse incluído no acordo. "O Líbano é uma escaramuça à parte. Eles não foram incluídos no acordo. Isso também será resolvido", disse, em entrevista ao canal PBS.

Os bombardeios feitos a Beirute hoje foram classificados por Israel como o seu "maior ataque coordenado" contra o Hezbollah. Moradores afirmaram que nenhum aviso prévio de ataque foi emitido pelo país de Netanyahu e que, com isso, muitas pessoas não conseguiram buscar áreas de proteção.

Os ataques feitos ao Líbano hoje motivaram um novo fechamento do Estreito de Hormuz por parte do Irã. Teerã condicionou a passagem das embarcações à parada imediata dos ataques.

Pouco antes da fala de Trump, a Casa Branca informou que o plano de paz com 10 pontos divulgado pelo Irã é diferente do que foi apresentado aos EUA antes do acordo. "O documento ao qual a imprensa se refere não é o plano em que estamos trabalhando", disse uma fonte à agência de notícias AFP, afirmando, ainda que os EUA "não vão negociar publicamente".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Os ataques foram suspensos por duas semanas e a trégua começou imediatamente, informou ele em publicação na Truth Social

A declaração de cessar-fogo ocorreu após pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que intermediava as conversas. O primeiro-ministro solicitou uma trégua de duas semanas na guerra no Oriente Médio.

O Irã também aceitou a proposta apresentada pelo Paquistão. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou o comunicado em que afirma que o plano com 10 pontos do país persa "enfatiza questões fundamentais", como a "passagem regulamentada pelo Estreito de Hormuz sob a coordenação das Forças Armadas do Irã".

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país aceita a trégua, mas impôs condições. Ele pediu que os ataques contra o território iraniano fossem interrompidos. O país ordenou, ainda, a cobrança de taxas de embarcações que transitarem pelo Estreito de Hormuz por parte de Irã e de Omã. Se confirmada, a cobrança seria inédita, já que a região sempre foi tratada como uma via internacional livre.

Apesar do anúncio de trégua, o Irã informou que foi atacado na manhã de hoje. Segundo a Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo, instalações da refinaria na ilha de Lavan foram atingidas às 10h no horário local (3h30, no horário de Brasília). O Kuwait também relatou que abateu drones iranianos que atingiriam o seu país.

Não há registro de feridos, mas vídeos divulgados nas redes sociais mostram colunas de fumaça no local do suposto ataque. A ilha de Lavan fica a pouco mais de 13 quilômetros do continente.

Já segundo o Ministério da Defesa do Kuwait, 28 drones foram interceptados desde a manhã de hoje. "Um grande número desses drones hostis" foi abatido, disse o porta-voz do ministério.

Alguns dos drones teriam furado o esquema de segurança e atingido infraestruturas civis no sul do Kuwait. A Defesa informou que "dano material significativo" foi registrado em usinas de energia e de dessalinização de água.

Do lado de Israel, a adesão ao cessar-fogo também veio acompanhada de ressalvas. Segundo as autoridades israelenses, os Estados Unidos coordenaram previamente os termos do compromisso com o governo de Benjamin Netanyahu. A expectativa é que, nas próximas negociações, Washington mantenha exigências duras contra o Irã, incluindo o fim do programa nuclear e de mísseis balísticos.