Oposição na Venezuela exige eleição após fim de prazo constitucional para vacância na Presidência

Por GUILHERME BOTACINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Vente, partido de María Corina Machado e principal sigla da oposição na Venezuela, exigiu, nesta sexta-feira (10), a convocação de eleições presidenciais na Venezuela diante da "ausência absoluta" do ditador Nicolás Maduro, após o vencimento do prazo de 90 dias estabelecido na Constituição para que o país organize eleições diante de vacância na Presidência.

"Transcorreram, desde a data em que ocorreu a extração de Maduro, mais de 90 dias que estabelece o artigo 234 constitucional para que a Assembleia Nacional passe a considerar o que todo o país e a comunidade internacional democrática sabem e lhes consta: a existência de uma ausência absoluta na Presidência da República", indicou o partido Vente.

"Devem ser convocadas eleições presidenciais nos 30 dias seguintes a essa declaração", acrescentou o comunicado.

A atual líder do país e vice de Maduro, Delcy Rodríguez, foi empossada interinamente no dia 5 de janeiro, depois da invasão militar de Washington que capturou o ditador em Caracas, no dia 3 daquele mês.

Em discurso na Assembleia Nacional na ocasião, Delcy declarou lealdade ao ditador, disse que assumia "com pesar" após uma "agressão militar ilegítima" e não deu sinais de que estará mais disposta a ceder às exigências dos EUA. Os mais de três meses desde sua posse mostram o contrário.

Caracas tem feito aberturas a empresas americanas, em particular no setor de energia e mineração, em troca do alívio de sanções.

A líder já recebeu autoridades de primeiro escalão da Casa Branca, como o secretário do Interior, Doug Burgum ?pasta responsável por questões de mineração nos EUA. Nesta quinta-feira (9), a Assembleia Nacional aprovou lei que abre o setor de mineração a inevstimentos estrangeiros.

Por outro lado, Delcy tem feito mudanças importantes na burocracia do regime que parecem indicar pouca abertura política na prática, como a troca do ministro da Defesa, agora chefiado por Gustavo González López, 65, que supervisionou prisões por uma década no país, e de outros importantes postos de liderança militar.

Além disso, a Assembleia Nacional, que chancelaria o processo constitucional eleitoral, continua dominada pelo regime. Caracas tem libertado presos políticos, embora nem todos detidos sejam beneficiados e os libertos tenham de viver com restrições de direitos, o que também indica poucos indícios de uma abertura rápida.

Manifestantes entraram em confronto com a polícia também nesta quinta, em Caracas. Funcionários públicos protestavam por melhores condições salariais. Mais de 2.000 trabalhadores e aposentados rejeitaram uma promessa de aumento salarial feita na véspera por Delcy.

As manifestações têm sido uma raridade no país durante quase dois anos devido à onda de repressão que se seguiu aos protestos da oposição contra a reeleição de Maduro em 2024, em pleito amplamente denunciado como fraudulento tanto por adversários como por observadores internacionais independentes.