Reunião entre EUA e Irã acontece na mesma sala e já há avanços, diz TV
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As negociações para o fim da guerra entre Irã e Estados Unidos acontecem em uma mesma sala de um hotel em Islamabade, capital do Paquistão, segundo fontes relataram à emissora de TV Al-Jazeera. O encontro começou por volta das 9h40 (horário de Brasília) e foi interrompido às 11h15 para o jantar (19h15 no horário local).
Encontros até então aconteciam em salas separadas, segundo veículos de imprensa do Oriente Médio. Hoje, as conversas acontecem em uma das 400 salas do hotel Serena, em Islamabade.
Ainda não houve um acordo sobre o fim da guerra, mas houve um consenso de que é necessário parar ataques no Líbano. Segundo fontes ouvidas pela Al-Jazeera, mesmo ainda sem o status de um acordo formal, EUA e Irã entenderam que deve haver uma limitação de bombardeios na região sul.
Segundo a TV, há expectativa de progresso no desbloqueio dos ativos do iranianos -uma das condições pedidas ontem. Detalhes, porém, ainda não são conhecidos. Ainda conforme as fontes ouvidas pela Al-Jazeera, o Paquistão está "otimista" com o andamento da reunião.
Washington e o governo do Irã não confirmaram oficialmente o começo da reunião. Procurada pelo jornal The New York Times, a Casa Branca confirmou somente as reuniões entre o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o Paquistão.
Representantes do Paquistão conversaram com as comitivas separadamente antes do encontro. A expectativa era de que, se houvesse um "consenso" nos discursos dos dois países, a reunião trilateral começasse.
A delegação iraniana apresentou termos para negociar a paz na conversa com o premiê paquistanês, entre eles, está a indenização pelos ataques conjuntos de EUA e Israel em fevereiro. As informações foram confirmadas pela televisão estatal iraniana, segundo a agência de notícias Associated Press.
Situação do Líbano pode ser um percalço nas negociações. O país está fora do acordo preliminar de cessar-fogo, segundo EUA e Israel, e a sequência de bombardeios israelenses na região fez com que o Irã voltasse a fechar Hormuz, acusando os países de violação do combinado.
Hoje, Israel e Hezbollah trocaram ataques. O grupo extremista anunciou ter lançado uma saraivada de foguetes em direção ao território israelense, e o país de Netanyahu fez um ataque com ao menos dez mortos no sul do país, segundo a agência nacional de comunicação do Líbano.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que assumiu papel de protagonismo nas negociações de paz, conversou primeiramente com os representantes do Irã. Participaram da conversa o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Depois, o premiê conversou com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, Jared Kushner e Steve Witkoff. A conversa entre ele e os norte-americanos foi confirmada pela Casa Branca, que não deu detalhes sobre o que foi falado.
Quando chegou ao Paquistão, o ministro do Irã afirmou que estava em "completa desconfiança" sobre um acordo. "Lutaremos com todas as nossas forças para garantir os interesses e direitos do povo iraniano", disse Araghchi, segundo a agência estatal Mehrs.
Outro membro iraniano das negociações de paz, o embaixador do Irã no Paquistão questionou se os EUA "vão honrar os esforços" do país anfitrião pela paz. "Esta é uma guerra que não só constitui um crime flagrante contra a nação e a civilização iranianas, como também pôs em risco a segurança da região e do mundo", disse Reza Amiri Moghadam.
JD Vance, por sua vez, alertou que o Irã "não deveria brincar". "Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva", afirmou ao embarcar para o Paquistão.
Em meio às negociações, Donald Trump foi às redes sociais para falar que fica feliz em ver petroleiros a caminho dos EUA. Sem citar países, ele disse que "alguns dos maiores" navios petroleiros do mundo foram em busca do "doce petróleo" norte-americano. "Estamos à sua espera. Rápido", disse.
Trump anunciou na terça um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Os ataques foram suspensos por duas semanas e a trégua começou imediatamente, informou ele em publicação na Truth Social.
A declaração de cessar-fogo ocorreu após pedido do primeiro-ministro do Paquistão, que intermediava as conversas. Ele solicitou uma trégua de duas semanas na guerra no Oriente Médio.
O Irã também aceitou a proposta apresentada pelo Paquistão. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou o comunicado em que afirma que o plano com dez pontos do país persa "enfatiza questões fundamentais", como a "passagem regulamentada pelo Estreito de Hormuz sob a coordenação das Forças Armadas do Irã".
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país aceita a trégua, mas impôs condições. Abbas Araghchi pediu que os ataques contra o território iraniano fossem interrompidos. O país ordenou ainda a cobrança de taxas de embarcações que transitarem pelo Estreito de Hormuz por parte de Irã e de Omã. Se confirmada, a cobrança seria inédita, já que a região sempre foi tratada como uma via internacional livre.
No dia seguinte ao anúncio, o Irã acusou Israel de violar o cessar-fogo por seguir bombardeando o Líbano. Tanto Benjamin Netanyahu quanto Donald Trump informaram que o país não estava incluso na trégua por causa do Hezbollah. O Líbano é alvo de ataques desde 2 de março.
No meio da semana, porém, Israel sinalizou que negociaria separadamente a paz com o Líbano. Em comunicado, o gabinete de Benjamin Netanyahu informou que as negociações diretas devem acontecer "o mais rápido possível".
Uma reunião entre Israel e Líbano está marcada para a próxima semana em Washington D.C., nos EUA. Poucas horas após confirmar que conversaria com o país, Netanyahu afirmou que "não há um cessar-fogo" em curso.