Novos ataques dos EUA a barcos no Pacífico deixam cinco mortos
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Cinco pessoas morreram e uma sobreviveu em um novo ataque das Forças Armadas dos Estados Unidos a embarcações no Pacífico Oriental.
Tripulantes dos barcos são acusados de narcotráfico pelos Estados Unidos e foram mortos no sábado. O Exército dos EUA confirmou as informações neste domingo (12). O governo não deu detalhes sobre o estado de saúde do sobrevivente.
Apesar de publicar imagens das embarcações sendo explodidas no mar, o Exército não mostrou evidências de que os barcos carregavam drogas. A Guarda Costeira dos EUA foi acionada e ativou o sistema de busca e salvamento de sobreviventes.
Donald Trump tem descrito a ofensiva como parte de um "conflito armado" com cartéis na América Latina e diz que a escalada é necessária para reduzir a entrada de drogas no país. Críticos, porém, questionam a legalidade dos bombardeios e a eficácia da estratégia, lembrando que parte do fentanil consumido nos EUA entra pela fronteira com o México.
PRESSÃO POR COALIZÃO REGIONAL
O ataque do sábado acontece pouco mais de um mês após seis pessoas serem mortas em outra embarcação no Pacífico. Ao menos 168 pessoas foram mortas da mesma forma desde o início da perseguição de Trump contra os supostos narcoterroristas, em setembro de 2025.
No mês passado, Trump defendeu que países latino-americanos se juntem a ações militares contra cartéis e gangues transnacionais. A proposta foi apresentada na cúpula "Escudo das Américas", realizada em 7 de março na Flórida, com a presença de líderes conservadores da região.
O "Escudo das Américas" é uma iniciativa do governo americano para reunir aliados em torno de uma agenda de combate ao crime organizado, à imigração ilegal e ao que Washington chama de interferência estrangeira no continente. O encontro foi realizado em Doral, e o discurso oficial também associa a iniciativa à disputa por influência no Hemisfério Ocidental.
A ofensiva no mar também gerou controvérsia após a revelação de que militares americanos teriam atingido sobreviventes de um primeiro ataque em um segundo bombardeio. Parlamentares republicanos defendem que as ações são legais e necessárias, enquanto democratas e grupos de direitos humanos afirmam que as mortes podem configurar assassinato ou até crime de guerra.