Israel estabelece 'linha amarela' no sul do Líbano, como fez em Gaza, e ataca supostos terroristas

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Exército de Israel afirmou neste sábado (18) ter estabelecido uma demarcação de uma "linha amarela" no sul do Líbano, semelhante à que separa suas forças do território ainda controlado pelo Hamas na Faixa de Gaza. Os israelenses acrescentaram que já atacaram pessoas consideradas suspeitas por terem se aproximado de suas tropas ao longo da linha.

"Nas últimas 24 horas, as forças das Forças de Defesa de Israel (IDF) que operavam ao sul da Linha Amarela, no sul do Líbano, identificaram terroristas que violaram os acordos de cessar-fogo e se aproximaram das forças pelo norte da Linha Amarela de uma maneira que representava uma ameaça imediata", disse o Exército, referindo-se à demarcação nesses termos pela primeira vez desde que o cessar-fogo entrou em vigor.

"Imediatamente após a identificação e a fim de eliminar a ameaça, as forças atacaram os terroristas em diversas áreas do sul do Líbano", afirmou, dizendo que as tropas estão autorizadas a agir, apesar do cessar-fogo.

Esse é a mesma lógica sob a qual operam os militares de Israel em Gaza. Mesmo após a trégua aprovada em outubro do último ano, as forças de Tel Aviv têm atacado repetidamente pessoas que, segundo elas, estariam ameaçando a segurança das tropas ao tentar cruzar a linha amarela que estabeleceram.

A região foi demarcada para dividir a área de atuação das forças militares de Israel no território palestino. Organizações que atuam no território, no entanto, acusam Tel Aviv de expandir sua zona de controle com o objetivo de controlar militarmente o território -algo que, pelo acordo de cessar-fogo, Israel deve deixar de fazer gradativamente, conforme o andamento das negociações, atualmente com pouco avanço.

Ainda neste sábado, no Líbano, o primeiro-ministro do país, Nawaf Salam, afirmou que forças de paz da ONU foram atacadas no sul. Ele ordenou uma investigação sobre o incidente, sem indicar quem cometeu a ofensiva.

"Condeno veementemente o ataque de hoje contra membros do batalhão francês da Unifil", disse Salam, referindo-se às forças de paz, acrescentando que deu "instruções rigorosas para uma investigação imediata a fim de apurar as circunstâncias deste ataque e responsabilizar os perpetradores".

Um porta-voz da Unifil confirmou à agência AFP que um incidente envolvendo suas forças de paz ocorreu em Ghandouriyeh, no sul do Líbano, e afirmou que estão investigando o ocorrido, sem fornecer detalhes adicionais sobre a natureza do ataque. Depois, a força afirmou que um soldado morreu, três ficaram feridos, e que um "ator não estatal" realizou o ataque, mas não acusou diretamente o Hezbollah.

O território está sob um acordo de cessar-fogo aprovado por Israel e pelo governo libanês, realizado com mediação do presidente americano, Donald Trump. A trégua, que entrou em vigor na última quinta, prevê dez dias de suspensão aos ataques.

Pouco após a entrada em vigor do cessar-fogo, no entanto, já na madrugada de sexta-feira (17) no horário local, o Exército do Líbano afirmou que Israel havia violado o cessar-fogo com disparos mirando vilarejos no sul do país árabe. O Hezbollah disse ter atacado soldados israelenses em represália; Tel Aviv não comentou.

Na sexta, Trump escreveu nas redes sociais que proibiu as forças israelenses de bombardear o vizinho. "Já chega", publicou ele.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, confirmou seu aval à trégua e afirmou que tem "a oportunidade de fazer um acordo histórico com o Líbano". Ele repetiu que a demanda principal "é que o Hezbollah seja desmantelado".

Trump afirmou que o acordo inclui o grupo extremista, mas o israelense declarou que seu país "não concordou com a exigência do Hezbollah de se retirar do sul do Líbano e retornar à fronteira internacional".

Autoridades de segurança israelenses ouvidas pela agência de notícias Reuters também afirmaram que o Exército de Israel não tem planos de retirar suas tropas do sul libanês. "Permaneceremos no Líbano com uma extensa zona de segurança até a fronteira com a Síria", afirmou Netanyahu.