Milei vai a Israel em meio a guerra no Oriente Médio e se encontra com Netanyahu
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O presidente da Argentina, Javier Milei, viajou a Israel neste sábado (18), em sua terceira visita ao Estado judeu desde que chegou ao poder, no final de 2023. Desta vez, a visita ocorre em meio à guerra de Washington e Tel Aviv contra o Irã, em trégua desde o início de abril.
"Olá, meu querido amigo!", afirmou efusivamente o ultraliberal ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, assim que eles se encontraram neste domingo (19). "Muito obrigado pelas palavras gentis, sinceramente. Você vai ouvir o que tenho a dizer sobre você", respondeu o premiê.
Em seguida, os líderes anunciaram novidades entre os dois países, como a primeira rota aérea direta entre Buenos Aires e Tel Aviv, que será operada pela companhia israelense El Al Airlines a partir de novembro, e a assinatura dos Acordos de Isaac.
O documento pretende estender à América Latina o espírito dos Acordos de Abraão, assinado no primeiro governo de Donald Trump para fortalecer a relação entre Israel e países árabes.
Os Acordos de Isaac, por sua vez, pretendem "fortalecer os laços diplomáticos, comerciais, culturais e estratégicos entre Israel e as nações de nossa região e unir forças na luta contra o terrorismo, o antissemitismo e o narcotráfico", segundo Milei.
"Nossa região foi arrastada à decadência por governos de esquerda e anticapitalistas que se aliaram ao terrorismo, o narcotráfico e o antissimetismo", afirmou o ultraliberal, que hoje vê a América Latina em um giro à direita potencialmente positivo para os planos do acordo.
O Brasil não faz parte dessa onda e, embora mantenha um vínculo cordial com outros governos de direita da região, tem uma relação conflituosa com a Argentina de Milei.
Neste sábado, no último dia do Global Progressive Mobilisation, em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segurou um cartaz que pedia a liberdade da ex-presidente argentina Cristina Kirchner, em prisão domiciliar desde junho do ano passado.
"A paz sempre prevalece sobre a força. A extrema direita grita, mente e ataca. Nosso papel é expor eles", afirmou ele em outro momento do evento, antes de ser ovacionado.
Após a coletiva com Netanyahu, Milei seguiu para a pré-gravação da cerimônia de acendimento das 12 tochas no Monte Herzl, que tradicionalmente inicia as comemorações pela fundação do Estado de Israel, que completa 78 anos em 2026.
Ele será o primeiro presidente estrangeiro a fazê-lo, em mais um dos gestos simbólicos de aliança que marcam a viagem. Em Jerusalém, a Ponte das Cordas foi iluminada com as cores da bandeira da Argentina, e Milei visitou o Muro das Lamentações vestindo um quipá, pequeno chapéu usado por judeus, acompanhado do embaixador argentino em Israel, Axel Wahnish.
O presidente reiterou ainda a promessa de mudar a embaixada da Argentina a Jerusalém, como afirmara na véspera ao dizer que a cidade é a "capital espiritual" de Israel. Na visita do ano passado ao país, o ultraliberal havia dito que a mudança ocorreria em 2026; neste domingo, disse que deve ocorrer "assim que as condições permitirem".
O status de Jerusalém, uma cidade importante para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais sensíveis no conflito entre israelenses e palestinos.
Em 1947, a ONU concedeu status internacional para o local, mas Israel conquistou o território de Jerusalém Oriental durante a Guerra Árabe-Israelense de 1967 e anexou a cidade em 1980 -um ato nunca reconhecido pela comunidade internacional, que trata o status quo como uma ocupação.
O Oriente Médio está em conflito quase permanente desde outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, dando início à guerra em Gaza. O conflito mais recente começou em 28 de fevereiro, quando ataques dos EUA e de Israel contra o Irã foram respondidos pelo país persa com bombardeios contra o Estado judeu e bases americanas em países do Golfo.
Na última quinta-feira (16) Milei afirmou à emissora israelense Canal 14 que o Irã é "um inimigo de todo o Ocidente" e elogiou Trump e Netanyahu, "decididos a pôr fim a este flagelo sobre a humanidade".
Durante a entrevista coletiva do premiê e do presidente argentino neste domingo, o embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, afirmou que os dois eram "dois dos amigos mais próximos do presidente Trump".
"Não conheço nenhum outro par de líderes mundiais em nosso planeta que nosso presidente respeite mais, ou com quem mantenha uma relação mais pessoal, do que o presidente Milei e o primeiro-ministro Netanyahu", continuou o diplomata.
Acompanhavam Milei na comitiva a Israel a sua irmã, Karina, o ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, o ministro da Justiça, Juan Bautista Mahiques, o embaixador israelense em Buenos Aires, Eyal Sela, e o presidente da Daia (Delegação das Associações Israelitas Argentinas), Mauro Berenstein.
Nesta segunda, o ultraliberal vai à Universidade Bar-Ilan, onde receberá um título de doutor honoris causa, e à yeshivá Hebron, uma instituição de ensino religioso judaico que abrigará uma homenagem prestada pela Academia de Estudos Talmúdicos ao líder.