Trump autoriza ataques contra embarcações que lancem minas em Hormuz

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (23) que ordenou a Marinha dos EUA a atirar em qualquer embarcação que esteja colocando minas no Estreito de Hormuz.

Trump declarou que ataques devem ocorrer sem hesitação, inclusive contra embarcações pequenas. "Ordenei à Marinha dos Estados Unidos que atire e destrua qualquer embarcação", publicou na rede social Truth Social, e advertiu: "não deve haver hesitação".

Ele acrescentou que navios caça-minas dos EUA estão "limpando o Estreito de Hormuz hoje". "Ordeno que essa atividade continue, mas em escala triplicada", anunciou Trump.

O Pentágono estima que a desminagem do estreito de Hormuz poderia levar até seis meses, segundo a imprensa dos EUA. De acordo com informações apresentadas em sessão confidencial no Congresso, o Irã pode ter instalado 20 ou mais minas marítimas na região, algumas delas posicionadas com auxílio de tecnologia GPS.

O Departamento de Defesa dos EUA negou as informações reveladas pelo Washington Post. Os EUA classificaram os relatos como vazamentos imprecisos de um briefing reservado e disseram que a hipótese de fechamento do estreito por seis meses é "impossível e totalmente inaceitável".

A Guarda Revolucionária do Irã já havia alertado, em abril, sobre a existência de uma "zona perigosa". O regime iraniano cita que minas estão espalhadas por cerca de 1.400 quilômetros quadrados.

Mesmo diante da possibilidade de uma eventual reabertura do estreito, empresas de transporte marítimo seguem adotando cautela. Armadores afirmam que ainda faltam garantias claras sobre as rotas seguras e sobre a remoção de possíveis minas. Alguns países não envolvidos diretamente no conflito se disseram dispostos a participar de uma missão internacional neutra para garantir a segurança da navegação em Hormuz.

Cerca de 20% do transporte mundial de petróleo passa pelo estreito. O canal se tornou o principal foco do conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ataques israelenses e americanos contra o Irã. O cessar-fogo entre Washington e Teerã entrou em vigor em 8 de abril.