Exército de Israel ordena evacuação de 16 cidades no sul do Líbano

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Exército de Israel emitiu nesta terça-feira (28) um novo alerta de evacuação para 16 cidades e vilarejos no sul do Líbano. O comunicado ordena que os moradores desses locais deixem imediatamente suas casas e se dirijam à região de Sidon.

Tel Aviv justificou os ataques contra o país vizinho por a uma suposta violação do cessar-fogo pelo grupo Hezbollah ?acusação recorrente de ambos lados na guerra.

A ofensiva ocorre um dia após o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmar que o Hezbollah "está brincando com fogo" e arrastará o Líbano para uma catástrofe. "Naim Qassem [líder do grupo armado] está brincando com fogo, e esse fogo queimará o Hezbollah e todo o Líbano", disse Katz.

"Se o governo libanês continuar se abrigando sob a proteção da organização terrorista Hezbollah, um incêndio eclodirá e queimará os cedros do Líbano."

Apesar da trégua, Israel diz reservar-se o direito de agir contra "ataques planejados, iminentes ou em andamento". O Exército israelense realizou ataques repetidos no Líbano desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em 17 de abril, e ocupou parrte do território sul.

Moradores libaneses foram alertados a não retornar a suas casas, enquanto tropas permanecem posicionadas em uma faixa de 5 a 10 km ao longo de toda a fronteira do Líbano. Já Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirma ter "direito de resistir" à ocupação.

O Itamaraty confirmou que dois brasileiros, uma mãe e seu filho, foram mortos em ataques de Israel no Líbano ocorridos no domingo (26). Segundo o governo libanês, o número total de mortos no país durante o conflito chegou a 2.521, com mais de 7.800 feridos.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, defende negociações diretas com Israel para pôr fim à ofensiva israelense, enquanto o Hezbollah se opõe às conversas. Aoun afirmou que o objetivo das negociações é interromper os ataques israelenses, retirar as tropas do país e posicionar tropas libanesas ao longo da fronteira.

A invasão terrestre israelense no sul do Líbano impediu que moradores retornassem às suas casas em cerca de 55 vilarejos, segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, que condenou a destruição e demolição de cidades inteiras por Tel Aviv.

O Líbano foi arrastado para o conflito após o Hezbollah atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O país persa, por sua vez, havia sido atacado por Washington e Tel Aviv em 28 de março, o que desencadeou um conflito que se espalhou pelo Oriente Médio.

O cessar-fogo no Líbano foi negociado separadamente das tentativas de Washington de resolver o conflito com Teerã, embora o Irã tenha defendido a inclusão do país árabe em uma trégua mais ampla enquanto negocia acordo para encerrar a guerra com os EUA.