Família de brasileiros morta em ataque no Líbano visitava casa durante cessar-fogo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A família morta em um ataque de Israel no Líbano no domingo (26) havia voltado para casa, no distrito de Bint Jbeil, no sul do país, durante o cessar-fogo entre os dois países para ver como estava a residência. As três vítimas se preparavam para deixar o local quando ocorreu o bombardeio.
A brasileira Manal Jaafar e o filho, Ali Nader, 11, também brasileiro, morreram ao lado do pai da família, o libanês Ghassan Nader. Outro filho do casal sobreviveu e se recupera.
Segundo Bilal Nader, irmão de Ghassan, após olhar a casa, a família tomou café da manhã e preparava a mala para deixar o local quando houve o ataque.
Em entrevista à Globo, ele disse que os sobrinhos estavam do lado de fora da casa e voaram com a explosão. O mais velho não resistiu e já foi enterrado no Líbano. Os corpos do irmão e da cunhada ainda não foram localizados.
De acordo com Bilal, a casa de três andares ficou em pedaços.
O jornalista Ali Farhat disse ao portal Panorama Real que a família viveu em Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de se mudar para o Líbano, há dez anos. Ghassan, segundo ele, era um intelectual que atuava em questões humanitárias.
"Todo dia dormimos com medo, acordamos com medo. Hoje falo com um amigo vivo, amanhã ele está morto por causa de um bombardeio israelense no Líbano", afirmou à Globonews um familiar no país. Uma empregada doméstica também teria sido morta, segundo esse familiar.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores expressou condolências à família e condenou o ataque.
"Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, às quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil)", diz a nota do Itamaraty.
Líbano e Israel estão sob um cessar-fogo que, no entanto, nunca de fato parou os combates, ativos desde que o Hezbollah atacou o Estado judeu em apoio ao Irã, por sua vez alvo de ofensiva de Washington e Tel Aviv a partir do dia 28 de fevereiro.
Na última quinta-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão por três semanas da trégua, inicialmente estabelecida no dia 16 deste mês. Washington faz a mediação das conversas entre os dois países no Oriente Médio, formalmente em guerra desde a criação do Estado judeu e que raramente sentam para diálogos.
Embora tenha reduzido a intensidade dos ataques de Israel em todo o Líbano, o cessar-fogo não tem sido o suficiente para evitar a ofensiva. Forças israelenses, que ocupam partes do sul libanês, argumentam que os ataques estão cobertos pelos termos da trégua porque o Hezbollah continua atacando suas tropas.
A tentativa das negociações para o fim do conflito no país árabe passa pela facção xiita, apoiada pelo Irã. Além de grupo paramilitar mais forte que o próprio Exército libanês, o Hezbollah é um partido político e possui cargos no governo nacional ?a política libanesa funciona em bases sectárias, o que implica a divisão de cargos e funções entre os grupos sociais e religiosos do país.
A facção tem forte predominância no sul libanês, além de áreas do sul de Beirute e em todo o vale do Beqaa, no leste do país. Seu desarmamento, assim como a retirada do grupo do sul do Líbano são demandas de Israel.
A facção também não poderia operar no sul libanês, de acordo com a resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2006 sobre o assunto, que também proíbe a ocupação de forças estrangeiras do território libanês sem autorização do governo.